sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ALGUMAS ANOTAÇÕES DO DIÁRIO DE UMA JOVEM DEBUTANTE


ALGUMAS ANOTAÇÕES DO DIÁRIO

DE UMA JOVEM DEBUTANTE

 

Ela esperou, com ansiedade, durante o ano passado, a data na qual faria 15 anos de idade. Uma idade tão esperada por toda adolescente.

Está cursando o 1º ano do Ensino Médio (9ª série do Ensino Fundamental) e sente grande orgulho. Tem quase 300 amigos no Facebook, a maioria do colégio, além do pessoal de sua família....

Suas lembranças da 8ª série: Nas aulas de Educação Sexual, ela e suas amigas mais chegadas ficavam desenhando os espermatozoides dos meninos da turma, e lhes davam os nomes, às gargalhadas. Na festa de formatura, dançou com um garoto que ela era a fim, e sentiu uma “quentura” por dentro. Mas, só não “ficou” com ele por pensar que era cedo demais. As colegas riram de sua atitude, lembrando-a de ele era o favorito de muitas delas.

Em um de seus passeios, num shopping, com as amigas, uma paquera surgiu. Troca de telefones, e-mails e até mesmo um encontro marcado. Era preciso dar uma desculpa em casa, para se encontrar com o Bruno, numa praça bem perto de casa, no dia seguinte, durante à tarde. Ela se lembra que tomou um banho de perfume. Os dois bem felizes, de mãos dadas, caminhando, apenas conversando. De repente, encontraram o pai dela, que apenas lhe disse: “Já para casa e depois conversamos!” Ela escreve que tremeu o corpo todo e o garoto ficou assustado. Em casa, seu pai quase “teve um filho pala boca”, e ela escutou o maior sermão. Os dias se passaram e eles se encontravam às escondidas. Ela gostava dele. E ele insistia que deveriam fazer algo mais, além dos beijos ardentes. Ela tinha medo de se entregar para ele e depois levar um belo de um chute. Então se fazia de difícil, mas sabia que estava se dando o devido valor.

Finalmente, chega a idade que tanto aguardava, seus majestosos 15 anos! Pensa que nesta idade as coisas mágicas acontecem e sua vida será um mar de rosas...

No dia da festa de seu aniversário, Bruno lhe presenteou com rosas vermelhas, dizendo, bem secamente: “Você demorou a se decidir, eu já estou namorando outra.” Naquele instante, ela sentiu o mundo desabar sobre sua cabeça, segurou o choro e devolveu as palavras: “Toma este buquê e leve para a sua namorada!”

Um novo amor chegou, semanas depois. Um amigo de uma prima, que havia lhe adicionado na rede social, dias atrás, a conheceu numa festa. Mal teclavam. Mas, durante duas horas, aquele era o par perfeito. Um beijo roubado e pronto! A maior surpresa: ele a pediu em namoro, como no tempo de sua avó. Ao contar para a sua mãe, imaginando que ela iria ficar descabelada e dizer “não” ao namoro, mais uma surpresa, pois a mãe lhe disse que gostaria de conhecer o pretendente. No dia seguinte, a jovem debutante ligou para o rapaz, dizendo: “Ok! Estamos namorando!”

Elton foi seu primeiro namorado firme e concreto, conforme ela escreve em seu diário. “Estou amando e sendo correspondida, agora.”

Após um mês de namoro, ele foi à casa dela conhecer seus pais. Chamou a mãe dela de “sogra”, mas não conheceu o pai, que não quis participar daquele encontro, totalmente corroído pelo ciúme, porque achava que era cedo demais para ela começar um namoro sério, e que o rapaz estaria roubando a sua “princesa”.

A dona do diário se lembra que a mãe havia gostado muito do Elton, mas passou a chama-lo de “ficante constante”. “Que raiva, viu?” Ela desabafa...

Eles se amavam, profundamente! Após um beijo “delicioso”, como escreve, em um de seus encontros, ela registra numa página inteira: “... Então senti as batidas aceleradas do meu coração e um calor imenso dentro do corpo, e ainda a minha respiração e a dele estavam aceleradas. Pensei que aquela sensação já nos levaria para as primeiras carícias preliminares... Que faríamos sexo! Imediatamente, me afastei dele e achei melhor parar por aí. Lembro-me que o deixei e fui embora, mas me senti “nas nuvens”.

No dia seguinte, no colégio, perguntou a uma amiga se era normal sentir aquele entusiasmo todo, tão cedo, aquela vontade de chegar logo no “algo mais”. Ela se sentia tão imatura, insegura, e achava que seu corpo ainda não estava preparado. E porque tinha muitos “grilos” na cabeça a respeito do sexo.

Terminou a página, escrevendo: “15 anos de idade ainda é muito cedo para perder a virgindade. E eu não quero decepcionar meus pais, que amo tanto. Não estou pronta para me entregar. Devo ainda descobrir tanto...”

Escreve ainda que já estava em férias escolares e viajou para a cidade de São Paulo, a fim de “esfriar a cabeça”.

“Ainda ontem, eu brincava de Barbie. Hoje estou num shopping, comprando um presente para o meu namorado, meu querido Elton...”

E nem quis arriscar o namoro “sério”, com uma aventura de férias, pois rapazes não faltaram!

 

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sábado, 27 de julho de 2013

UMA CONVERSA FRANCA, DE ADULTO PARA ADULTO


UMA CONVERSA FRANCA, DE ADULTO PARA ADULTO

 

Devido às transformações de seu corpo, os adolescentes se sentem transtornados. Também os pais, diante do processo de desenvolvimento dos filhos, se vêm numa situação difícil, pois sentem uma espécie de angústia que vivenciam com a perda do corpo de seu filho-criança.

De acordo com os psiquiatras, os pais percebem uma nova realidade, estão começando a envelhecer. Com a evolução de se relacionarem, a partir de então, com o filho de adulto para adulto, algumas renúncias serão impostas aos pais. O filho perde aquela imagem dos pais criada por ele, e ao mesmo tempo os pais estarão sujeitos a críticas e aos sentimentos contraditórios dos filhos, assim como a ternura e a raiva, por exemplo. Com efeito, os pais têm dificuldades em aceitar este desenvolvimento do filho adolescente, ainda mais quando, inconscientes, não percebem estes embaraços.

Alguns pais estão sempre dizendo que o filho está numa fase difícil, na fase da “aborrecência”. Só que não se dão conta de que eles próprios estão encobrindo, desta maneira, a sua incapacidade de entender o filho.

Muitos filhos querem inovar, e diante disto os pais se sentem ameaçados. Por isso, geralmente reagem com atitudes repressoras, causando um grande aborrecimento a eles, seus filhos. O jovem, então, numa atitude repentina, irá romper com os pais, irá preferir substituir o amor deles por novos relacionamentos afetivos, extrafamiliar, onde poderão encontrar apoio e segurança.

Quando o jovem fracassa ao lidar com esta separação, ele se defende, sem o saber, convertendo aquele amor aos pais em emoções opostas. Por isso, o amor torna-se ódio, a dependência se transforma em rebeldia e o respeito vira desprezo. Mas é apenas superficial esta posição dos filhos, quando acham que estão livres dos pais, porque, na realidade, eles permanecem ligados à figura deles. Contudo, se o jovem traz consigo boas imagens de seus pais, aqueles que, desde a sua infância, sempre foram amorosos, cuidadosos com a educação e o respeito que lhe deram, a separação será mais fácil. Esta separação dos pais de infância é uma tarefa difícil de enfrentar, e por isso o jovem trava uma luta ferrenha. Muitas vezes, chega a menosprezá-los, negando sua importância. Culpam os pais de serem estúpidos e inúteis. Desta maneira, parece-lhes que fica mais fácil lidar com esta perda, já que tinham apego pelos pais quando crianças.

Gosto destas considerações, uma vez que estamos constantemente percebendo esta atitude nos jovens. A perda dos pais de infância, a que se refere Anna Freud, em seus estudos, esclarece-nos o comportamento do jovem, que percebe que deverá se libertar da criança que foi um dia, e não faz muito tempo, para arcar de vez com a sua adolescência proeminente.

Os jovens pensam que poderão alcançar os louros de sua adolescência, ao se libertarem de vez da figura paternalista. Muitos não querem a interferência dos mais velhos durante o seu desenvolvimento, pois acreditam que podem se virar sozinhos. Para tanto, precisam negar a figura dos seus pais de infância. Este rompimento, necessário, se faz de uma forma brusca, e às vezes acaba gerando complicações entre pais e filhos. Devemos admitir que os pais sofrem com isso. Sem mais nem menos, se vêm diante desta situação que os coloca como vítimas de seus próprios folhos. Esta questão é tão pouca percebida pelos filhos e pelos pais. Ambos passam por esta experiência, e não têm a menor noção do que ela realmente implica.

Ouvimos tanto esta frase: “É preciso romper o cordão umbilical.” Talvez, seja esta a importância da perda dos pais de infância. Lembro-me que a figura de meus pais, quando eu era criança, foi totalmente redesenhada quando me tornei adolescente.

Devemos lembrar que o tempo passa, e com ele surgem as mudanças e as transformações que todos sofremos ao longo de nossas vidas. O adolescente, quando deixa de ser criança, normalmente não percebe que também seus pais estão passando por uma fase de grande amadurecimento, principalmente se casaram ainda muito jovens. Só o que ele sente é que aos poucos a imagem de seus pais vai se distorcendo, ele não encontra mais aqueles traços que lhe eram bastante familiares quando criança. Contudo, é necessária a atenção para este fato: a perda dos pais de infância pode acontecer sem maiores problemas, como pode também causar a rebeldia dos filhos ao lidar com este rompimento.

 

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

ELES QUEREM LIBERDADE


ELES QUEREM LIBERDADE

 

Pesquisas realizadas e estudos profundos relatam: Os adolescentes passam por um período inicial de “grande dependência”. Na realidade, nesta fase, eles precisam de atenção, muito mais de quando a recebiam enquanto bebês. Mas, enquanto buscam atenção (dependência), seguidamente possuem a intenção de buscar também a sua independência. Com isso, os pais se vêm obrigados a “andar em ovos”, dando a eles dependência ou independência, de acordo com as suas necessidades.

Então, quais serão as exigências básicas dos jovens em relação a esta independência, à liberdade que eles querem ter?

Nossos jovens querem o direito à opinião própria e o livre-arbítrio, a total liberdade de escolha, pois eles próprios querem determinar direções. Querem a liberdade para namorar, quando pensam que já estão suficientemente “grandes”. Querem que seus pais lhes deem saídas livres, com horários flexíveis. E, definitivamente, não suportam pressões.

Entretanto, há pais que são rigorosos e não abrem mão de sua autoridade, nem por decreto. Às vezes, podem até ceder a uma ou outra exigência dos filhos, mas com certeza estarão sempre fiscalizando-os, passo a passo. A qualquer desvio do filho, o pai, ou a mãe, lança logo a frase típica: “Olha que eu corto a sua mesada”. E ponto final, pois esta é a maneira que encontram para exercerem o poder de uma dominação mais rígida, austera. É uma forma de limitar os filhos, economicamente. E sem dinheiro como o jovem poderá ir atrás de suas aventuras?

Entendo que, neste momento, o jovem irá perceber que seus pais, controlando o seu acesso ao dinheiro, estão se comportando como verdadeiros tiranos. E, ainda, intervêm no processo de sua libertação.

Mas, não só quanto a esta questão de dinheiro, os filhos se veem privados de gozar a liberdade que tanto almejam. Contudo, devemos entender que há duas formas de se conceder a liberdade. Aquela que é permitida com limites: exige cuidados, observação, contato afetivo e diálogo permanente. E a que é permitida sem limites: é vista, pelos filhos, como uma forma de abandono. Parece-lhes que seus pais estão se livrando de vez da preocupação sobre eles. Porém, há jovens que não têm lá esta preocupação e acham o máximo os pais não estarem nem aí. Aproveitam e abusam da liberdade. Acabam dando “com os burros n’água”, como diz o ditado. Por outro lado, há jovens que sabem lidar muito bem com a liberdade que lhes é dada pelos pais. São comedidos e não jogam esta sorte pela janela. Vivem com certa liberdade, que já lhes dá vazão aos seus ensejos e têm consciência de seu preço.

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

A SEXUALIDADE DO JOVEM


A SEXUALIDADE DO JOVEM

 

“O primeiro encontro sexual não ocorre no início da adolescência, somente após o longo processo de desenvolvimento físico e emocional. Somente quando o jovem consegue superar as inibições características desta fase, ele poderá então estabelecer um relacionamento mais íntimo com outra pessoa, não baseado em afetividade mútua, mas com a finalidade de lhe proporcionar prazer.”

A adolescência é definida mais pelos fatores de ordem social e psicológica. A puberdade é um acontecimento biológico, onde a menina e o menino tornam-se aptos à procriação. Na menina, sua determinação é a primeira menstruação, que é considerada como início do processo da maturidade sexual da mulher. No menino, a primeira ejaculação, que ocorre entre os 13 e os 14 anos de idade, é tida como principal manifestação de amadurecimento sexual. E então ocorre o desenvolvimento progressivo da capacidade de ejaculação. Inicia-se geralmente devido à masturbação, ou à ejaculação que aflui durante o sono.

A menarca (primeira menstruação) acontece por volta dos 11, 12 anos de idade. Mas poderá ser precoce, aos 10 anos, e tardia, aos 16 anos. A espera faz com que a menina sofra de angústias e profundas alterações de humor. Com tantos desafios pela vida afora, ela também se depara com as novas conquistas e ainda com o medo de não conseguir vencer suas dificuldades.

Os garotos associam sua virilidade com o tamanho do pênis (e são inevitáveis as comparações nesta época), e têm o instinto de se mostrarem fortes e grandes conquistadores. Já as garotas precisam provar que elas podem ser capazes da sedução. Querendo se apresentar sedutoras, elas fazem joguinhos para despertar a atenção dos rapazes.

Nota-se que toda esta vontade que os jovens têm de corresponder a estes estereótipos causa-lhes um estado emotivo muito grande, onde o que predomina é o sentimento de insegurança. O que gera o sofrimento deles é o medo de não poderem corresponder ao que eles consideram que é igual nos garotos e garotas de sua idade.

Até o início dos anos 70, conforme pesquisas, a iniciação do rapaz se dava sempre com prostitutas, Já a garota era forçada a se manter virgem até o casamento. Assim, ela procurava satisfazer a necessidade de gratificação por meio de flerte, como forma de se sentir admirada, bonita e sedutora. Para adquirir as condições de um envolvimento mais completo (sexo e afetividade), somente era possível ao atingir a maturidade emocional, no fim da adolescência. E isto após vários encontros.

Daqueles tempos para cá, a liberação sexual estendeu-se finalmente aos jovens. Rapazes e moças de “família” têm relações sexuais antes do casamento. Esta questão tornou-se imperiosa para que os casais pudessem ter a liberdade de se conhecerem melhor, sexualmente, a fim de que suas boas relações fossem contínuas e saudáveis durante o casamento.

Penso que esta revolução de costumes, iniciada anos atrás, é aceita com naturalidade e tolerância por parte de alguns pais, que se mostram evoluídos com seu tempo. Porém, para aqueles pais acostumados a uma formação e educação rígidas, torna-se difícil encarar, ainda hoje, o fato com uma atitude liberal e lícita, pois considerar a sexualidade dos filhos, vista como é colocada atualmente, é um grande pesadelo. Por isso, as proibições, as situações embaraçosas e até mesmo o surgimento de um “bate-boca” entre pais e entre pais e filhos, o que é extremamente desagradável e triste.

O adolescente, à medida que aceita o desenvolvimento de seus órgãos genitais, inicia a busca do parceiro intensamente. Mas ele o faz de uma forma tímida. Neste período, começam os contatos superficiais, as carícias mais profundas e íntimas. E ainda, devido ao despertar de sua sexualidade, o jovem explora, com todos os esforços, tudo o que se refere ao sexo: conversas, filmes, jogos, livros, revistas, programas na TV, o assunto na Web.

Neste período de sua vida, o jovem deve receber uma orientação sexual mais que satisfatória, a fim de que possa entender de fato tudo o que lhe acontece. Os pais devem tomar a atitude de uma conversa franca e aberta, sem haver a opressão. Por que não responder a todas as perguntas? Por que não procurar, em literaturas especializadas, as respostas que admitem não saber? Que procurem juntos, pais e filhos, para que nenhuma pergunta fique no ar e possa causar um prejuízo maior. Felizmente, de uns anos para cá, a aulas de sexualidade foram introduzidas nas escolas, para os jovens a partir de 11, 12 anos de idade.

Não podemos negar que, atualmente, o jovem vive sua sexualidade com algumas facilidades. E está comprovado e transparente através da comunicação espontânea e franca que os garotos e as garotas instituíram entre eles. A troca de informações lhes é totalmente saudável.

A maioria de nossos jovens já está orientada, de uma maneira ou de outra, pelos pais, educadores e pelos meios de comunicação. Sabem muito bem das questões que envolvem sexo, gravidez, o uso de preservativos e dos cuidados que devem ter contra as doenças sexualmente transmissíveis.

Porém, há jovens que não têm sequer uma orientação e nem sabem como buscá-las, ou porque são tímidos demais, ou porque lhes foi proibida a busca. Lamento, pois a eles deve pertencer o direito de se conhecerem e de explorarem, sobretudo, a sua sexualidade. E para isso precisam contar com o apoio dos pais e educadores.

A decisão da primeira relação amorosa deve ser levada a sério pelos jovens. Eles se sentem nervosos e ansiosos e esperam que tudo dê certo. Estas expectativas, que um tem em relação ao outro, são muito inseguras. Mesmo que o jovem tenha conhecimento de como funciona o sexo na teoria, somente quando o coloca em prática é que poderá descobrir isto de fato. O impulso sexual só será bom quando os dois se permitirem. Muitas vezes, um dos parceiros usa de chantagem emocional, ou um motivo qualquer, submetendo ao outro uma pressão, para que possam fazer sexo. Decididamente, este não é o melhor caminho!

Os relacionamentos sexuais de curta duração - o chamado “ficar”, no jargão dos jovens - podem ser maravilhosos e excitantes, mas envolvem vários riscos: uma gravidez, a possibilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis e o vírus da AIDS.

Jovens! O amor é lindo e o sexo é algo incrível e saudável. Quando estiverem preparados, que o façam conscientes, sobretudo com afetividade. Transar “sexo por sexo” pode dar prazer, mas pode também causar aborrecimentos que não vão valer a pena. A melhor maneira de fazer sexo seguro é se precaver com o uso de preservativos, a chamada “camisinha”. E não deixem de lado a afetividade e o amor! Façam valer as suas relações amorosas.

 

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

NAMORO E SEXO


NAMORO E SEXO

 

Um estudo, realizado na Califórnia, sobre os efeitos do amor na saúde, mostrou que os jovens enamorados, quando em crise com o parceiro, a parceira, queixam-se de indisposições, como dor de cabeça, tonturas, insônia, dor de estômago, e até mesmo a perda de autoestima. Estes distúrbios e descontrole emocional são causados por relacionamentos que não vão bem, e aos 17, 18 anos de idade, isto é muito comum, pois a entrega amorosa é maior. Está comprovada a forte relação entre o sucesso da vida afetiva com a saúde do corpo. Se os problemas são resolvidos, é bem provável que os sintomas desapareçam.

Os bons relacionamentos, e mesmo a amizade, ajudam os jovens a melhorar a sua visão do mundo. Encaram a vida positivamente, são bem sucedidos com seus ideais, sofrem menos pressão e ainda mantêm a saúde em bom estado. Amigos e parceiros são uma grande ajuda para encarar os problemas e as preocupações. Conforme comprovado, se a relação anda conturbada, os casais sofrem, e este mal é refletido na saúde. Aliás, isto ocorre desde muito e muito tempo.

Querendo, ou não, os jovens que se enamoram, principalmente pela primeira vez, passarão por estas indisposições se acaso o namoro entrar em crise. O importante é saber lidar com estas tais crises e contorna-las da melhor maneira possível, para que não venham a prejudicar a saúde, a ponto de pertubá-la constantemente, o que será um mal.

Os pais devem compreender esta situação delicada, para ajudar seus filhos a sair desta. Não se esquecendo, porém, de que eles próprios, com certeza, já passaram por isso.

A maioria dos jovens se preocupa com a questão do namoro. Pensam em quando estarão prontos para gostar de alguém, como será o envolvimento, em que ele implica, se o namoro é algo complicado, como se portar, e tantas outras indagações, que é possível adiar o seu momento. Já outros, não vêm o menor problema. São mais “atiradinhos” e querem logo começar a namorar, e quanto mais cedo melhor.

Os filhos, quando enamorados, sentem a necessidade de conversar com os pais a respeito da relação que estão vivendo. Querem dissipar de vez as suas dúvidas. Assim, vão surgindo perguntas e mais perguntas.

Geralmente, quando os pais se sentem embaraçados, ou mesmo constrangidos, diante às indagações instigantes dos filhos, eles têm a mania de fugir das questões, ao invés de serem sinceros. Há pais que conversam com os filhos a respeito de namoro e sexo de maneira bastante técnica, como se fosse uma aula teórica. Seriam necessárias discussões sobre os valores e sentimentos, sem que a imposição seja a majestade sobre o assunto.

Creio que a confiança e o diálogo franco e aberto são os melhores ingredientes de uma excelente receita, a da aproximação entre pais e filhos.

É normal e muito louvável a preocupação dos pais pelos filhos que começam a namorar. Os jovens, porém, se atiram de peito aberto nas suas relações amorosas e não querem imposições, não aceitando conselhos.

E surge o primeiro amor, e o jovem apaixonado estará nas nuvens, curtindo seu momento precioso!

O namoro é mesmo uma condição deliciosa. O envolvimento amoroso é perfeito, com todas as suas implicações. E quem gosta quer estar perto do ser amado.

Muitos adolescentes passam por momentos bons e ruins quando estão amando. Bons, quando estão na companhia do objeto de seu amor. Ruins, quando enfrentam pais que não lhes permite desfrutar deste prazer. Às vezes, ouvem frases, como: “Ainda é muito cedo para pensar em namoro...” “Você não tem idade suficiente para saber o que é gostar de alguém...” “Cuide de seus estudos, que é o melhor que tem a fazer...” “Esta garota não serve para você...”

Há jovens que enfrentam a proibição terminantemente do namoro, porque há pais que são severos ao extremo e não permitem que seus filhos comecem a namorar com certa idade. Chegam a estipular o momento certo, adequado para eles. Pais que sentem ciúmes, da filha principalmente, e ainda querem-na dentro de casa, como a criancinha que ela já foi um dia. Por isso, os jovens discutem tanto, questionam sua liberdade, querem aproveitar seus momentos a que têm direito.

Contudo, há pais modernos, e há os que são modernos até demais. Concedem total liberdade aos filhos e não estão nem aí. Alguns, são modernos moderados, outros, modernos exagerados.

Questiono se os filhos destes pais, que se dizem avançados, são realmente felizes. Fazem o que querem e não precisam prestar contas de seus atos. Acabam achando que o caminho está livre para eles e acabam fazendo muitas besteiras, uma vez que eles não devem satisfação alguma. E devido a esta liberdade excessiva acabam metendo os pés pelas mãos.

Penso que o jovem deve ser orientado, e não massacrado, quanto às questões delicadas que o envolvem nesta fase de namoro. Todos precisam estar cientes de suas limitações. Precisam conhecer bem de perto, com a ajuda dos pais, o que de verdadeiro implica na sua nova situação, quando estala o sentimento do amor por alguém.

E os jovens enamorados e apaixonados vivem com uma pergunta fervilhando na cabeça: “Qual será o momento certo para o início de minha vida sexual?”

Afeto, delicadeza dos olhares e beijos são elos intensos entre os enamorados. As carícias, toques carinhosos e excitantes, intensificam a intimidade entre os casais, E neste momento é preciso dosar estas sensações intensas. O despertar do sexo na adolescência gera ansiedade, dúvidas e medo, o que geralmente ocorre entre a idade de 16 a 18 anos. Nesta fase, é comum o adolescente fantasiar relações amorosas com seus ídolos: artistas, professores, o melhor amigo, e mesmo a namorado ou namorado. Então ele se indaga: “Será que sou normal?” E aí surgem os conflitos. Porém, o conteúdo da fantasia não deve fugir dos padrões morais. Então o jovem se angustia, ao tentar decidir sobre o que é normal e saudável, ensaiando os primeiros passos na direção do sexo oposto. E é nesta fase que a sexualidade brota imperiosamente!

 

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

COMPORTAMENTO


COMPORTAMENTO

 

“Os jovens preferem andar em turmas, pois desta maneira eles também buscam novas figuras de identificação.”

Voltando aos estudos de Anna Freud, o adolescente, quando criança, é comportado, educado, obediente e possui bons hábitos alimentares. Já o retrato do adolescente, ela o mostra: curioso, faminto, egoísta e desrespeitoso.

Assim, pensando os predicativos aqui rotulados, e comparando-os, podemos notar que há uma transformação radical. E em meio a todo este conflito, causado pela profunda mudança que acontece no corpo e no espírito do jovem, ele estará à procura de sua própria identidade. Por isso, em grupo, ele encontra apoio, segurança e a estima pessoal de que necessita.

Quando os jovens aceitam seus padrões, modo de vestir, de falar, uma nova identidade surge a partir de então. Estes modelos acrescentam-lhe uma imagem sobre a qual eles irão se firmar por um bom tempo. Através dela, eles se sentirão mais confortáveis para lidar melhor com seus conflitos nesta fase de modificações extremas.

A juventude está mesmo perdida em meio a tantas exigências que lhe são impostas, e tantos apelos que vão em contrapartida à nossa sociedade, que reprime, controla e vigia o jovem, muitas vezes desprovida de diálogos. Assim, os psicólogos analisam, admitindo que a nossa sociedade finge novos padrões, mas com certeza está mesmo é firmando tendências do passado.

Ainda hoje, a lamentar, existem alguns jovens que se comportam como verdadeiros “animais”, que me perdoem a expressão. Não dá para tapar o sol com a peneira. As revistas semanais e mesmo os programas de reportagem da TV estão sempre divulgando este comportamento débil de jovens que não se prezam, que não amam a vida, a ponto de torna-la um verdadeiro inferno, para eles próprios e para seus pais. Muitas vezes, influenciados por modismos falsos, eles se decepcionam. Seus pais, sim, são sofredores e devem viver se culpando, procurando o erro da educação que transmitiram para seus filhos. Falharam? Não podemos julgá-los. Nem sempre a educação vence os apelos do meio no qual estes jovens se envolvem.

Contudo, percebo, até com grande alívio, que a maioria de nossos jovens, desta nova geração, está se comportando dentro dos limites. Eles levam uma vida saudável, cultuando o corpo nas academias e aprimorando a mente. Jovens que se destacam nos estudos, porque pensam ter, no futuro, uma carreira brilhante. Têm interesse pela cultura e avançam em direção a ela, ávidos de informações e desempenho.
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sexta-feira, 21 de junho de 2013

DEPOIMENTOS DE JOVENS ADOLESCENTES - TOMO I


DEPOIMENTOS DE JOVENS ADOLESCENTES – TOMO I


O que rola na cabeça desta moçada bacana? O que os jovens pensam a respeito de sua adolescência? Estão curtindo tudo numa boa? Quais serão as dúvidas que mais rondam os seus pensamentos? Suas satisfações são maiores que seus conflitos? Como encaram a família? E os amigos? Viver com a turma, a tal tribo, é mais legal? O que pensam a respeito de sexo e drogas?

Durante minhas pesquisas, inicialmente, nas cidades de Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP), acabei intrigada com estas questões e senti vontade de buscar as respostas na própria fonte. Por isso, quando tive acesso aos seus diários, solicitei a alguns destes jovens que escrevessem sobre o que eles consideram de maior importância para a sua juventude. Que abordassem os temas primordiais sobre os quais sentem a necessidade de saberem mais a respeito. Qual não foi a minha surpresa ao constatar as suas preocupações. Algumas delas me levaram a repensar a minha juventude. Quando adolescente, eu tinha as mesmas incubações, e de lá para cá elas continuam as mesmas para estes jovens. Porém, outras preocupações já são bem mais contemporâneas, estão para o tempo real, óbvio!

Pedi-lhes a permissão para publicar neste livro os seus escritos, o que me foi autorizado. A seguir, o que alguns deles escreveram:

# GAROTA (11 anos) / Belo Horizonte (MG)

·         Vontade de beijar: “Quando somos novas, ou não temos namorado, ainda, dá mesmo uma vontade louca de beijar... Também, quando assistimos novelas, filmes, dá vontade, viu? Quando olhamos um garoto bonito, dá vontade de beijá-lo, assim... Sem mais nem menos!”

·         Algum problema com o seu corpo?: “Nós temos a maior preocupação com o nosso corpo, claro. Se estamos gorda demais, meio magra... Se o vestido está curto, ou se colocamos uma mini-blusa e o sutiã aparece... Coisas assim.”

·         Sexo com 11 anos: “Eu acho que as meninas que estão com 11 anos ainda não pensam em sexo. Só o lance de ficar mesmo... Beijo e tal.”

 

# GAROTA (14 anos) / Belo Horizonte (MG)

·         Vaidades: “Toda garota sonha em ser simplesmente o “máximo”. Quer ser linda e charmosa. Queremos ter amigas morrendo de inveja do nosso sucesso junto aos garotos pretendentes. Queremos nos sentir irresistíveis...”

·         O primeiro namorado: “Ele deve ser como a gente imagina: maravilhoso, amigo, companheiro, engraçado, inteligente. Sonhamos mesmo é com um “príncipe encantado”, um menino super apaixonado, para que todas as amigas “babem”, e isso faz com que a gente se sinta bem.”

·         A primeira transa: “Quando a gente vê cenas quentes nos filmes, novelas, imaginamos quando é que iremos iniciar essa experiência chamada sexo. Sonhamos com um cara lindíssimo nos levando às nuvens...”

·         Paixão platônica: “Às vezes, a gente acha que nunca vai acontecer com a gente. Mas, de repente, apaixonamos perdidamente pelo professor de Matemática, ou aquele ator famoso. Ou até mesmo pelo namorado de uma amiga... Infelizmente, a paixão nem sempre é correspondida, e sofremos um pouco. Depois, a gente esquece.”

 

# GAROTA (16 anos) / São Paulo (SP)

·         As amizades: “Amigos para os quais contamos tudo e aprontamos de tudo juntos. É meio que um por todos e todos por um. Os amigos são para as horas tristes e alegres...”

·         A família: “Há alguns desacordos com os pais, principalmente quando nos proíbem. Dá uma vontade de fazer tudo o que é proibido, por pura birra e para provar que nada é proibido se caso a gente tomar todo o cuidado possível. A cabeça dos pais é diferente da dos filhos. Dá vontade de já ter logo 18 anos...”

·         Vontades: “Viver intensamente. Aproveitar do bom e do melhor, mas a gente não pode. Êta problemão! Vontade de sair sempre com a galera, de trocar ideias e estar sempre com alguém. Namorar, aprender coisas novas e sempre poder realizar os nossos sonhos.”

·         Bebidas, drogas, cigarros: “Vivo escutando que é só para experimentar. Só que todo dia isto acontece. Aí começa. Também acho que é só para aparecer. Besteira! Mas a maioria não dispensa. As companhias também influenciam muito, assim como o ambiente e a própria vontade de experimentar.”

 

# GAROTO (13 anos) / São Paulo (SP)

·         Adolescência: “Eu acho que a adolescência é isso que estou passando na vida. É a chatice dos meus pais e dos pais de muitos colegas da escola. A gente não é mais criança, mas eles não enxergam isto. A gente não pode fazer nada, porque está errado. Eu gosto de estudar, mas também quero me divertir. Os garotos da minha idade já querem namorar. Eu ainda não namoro, só paquero de longe. Eu preciso conversar com meu pai. Ele é chato, mas é legal.

Eu não gosto muito que fiquem pegando no meu pé. Tem garotas que gostam de grudar na gente, e isso eu acho muito chato. Eu adoro jogar videogame com os amigos, e sozinho também. Penso em escrever um livro. Vou ser um escritor. E quanto à adolescência é ter paciência. Um dia, vou virar adulto e vou rir, lembrando-me do quanto eu fui um aborrecente para meus pais.”

 

# GAROTO (17 anos) / Belo Horizonte (MG)

·         Adolescência: Eu sou um adolescente legal. Gosto de ser jovem. A vida está indo “de boa”! É claro que a gente tem mil problemas, mas dá para segurar as pontas. Já tive muitas namoradas e transei a primeira vez com 14 anos de idade. E foi muito bom. Tenho amigos que ainda não fizeram sexo. Nunca tive e não tenho este lance de ficar fervendo a cabeça por conta de alguma coisa. Vou levando tudo conforme me vem. E só ganho coisas boas. Acho que é por isso que sou um cara feliz. Tem uns adolescentes que encanam muito. Esta fase da vida depende muito de como a gente a encara. Não tem muito mistério, mas os adultos acham que tem. Os jovens devem pensar que a adolescência é o período melhor de nossas vidas. Temos de aproveitar a vida, a nossa juventude, sem tantos pontos de interrogação na cabeça. As drogas? Como diz na propaganda, “tô fora”. Valeu!”

 

O testemunho destes cinco jovens que escolhi para publicar, em meio a tantos outros, reflete bem o que cada um deles pensa a respeito de sua juventude. De acordo com a idade de cada um, constatei que suas preocupações são as mesmas, e os pensamentos seguem uma mesma linha de conduta. Percebi também que muitos deles têm fantasias para com as relações amorosas. De acordo com pesquisas, elas são naturais e saudáveis e fazem parte da iniciação dos jovens. Já alguns, se sentem sozinhos e carentes. Eles pensam que terão dificuldades em atrair alguém. Ainda não sabem como lidar com esta questão. Outros, escreveram que andar em tribos é uma maneira de se sentirem mais seguros, na rua principalmente. De fato, estar em turma é mais divertido, por isso vivem muitas aventuras juntos. Até mesmo as aventuras amorosas são compartilhadas.

 

Os nossos jovens, praticamente, têm as mesmas indagações e os mesmos conflitos perante à vida.

A partir destes depoimentos que solicitei a vários jovens, somados aos artigos de jornais e revistas que retratam esta nova geração, muitos adolescentes são parecidos uns com os outros, uma característica nata entre eles. Mas, a bem da verdade, há jovens que são extremamente conturbados e não sabem o perigo em que se metem. Falta-lhes atenção, carinho e, sobretudo, um aconselhamento por parte dos pais, e mesmo dos educadores. Estão tão perdidos que mal se dão conta de que eles próprios também não se ajudam, a ponto de afundarem cada vez mais num poço, muitas vezes sem volta. E não encontram ninguém que lhes diga que existe, sim, uma saída!

 
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