Ensaio: Para jovens (a partir de 12 anos de idade), pais e educadores. Livro que terá sua publicação, muito em breve, com a ajuda dos leitores, que já estão convidados a postar seus comentários após cada capítulo, publicado semanalmente!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
sábado, 14 de setembro de 2013
E AGORA ADOLESCENTE?
E
AGORA ADOLESCENTE?
E
agora adolescente?
Você
é o motivo maior deste meu ensaio, que, durante alguns meses, tive você o tempo
todo na minha cabeça, martelando até nas reticências dos meus pensamentos,
enquanto, saborosamente, escrevia sobre você e para você!
Pesquisar
e estudar seu comportamento me levou a seguir seus vestígios, como se eu
participasse de uma maratona, visando sagrar o 1º lugar no pódio. Eu tencionava
chegar lá... Com esforço e dedicação. De chegar a merecer a sua atenção através
deste meu livro, porque a minha intenção estava totalmente voltada para a sua
vida, para a sua adolescência, e eu não queria perder nenhum lance!
A
minha intenção foi a de escrever um livro leve e solto, assim como caminha a
juventude...
Investiguei,
insisti e até vivenciei alguns momentos felizes, e de muita ajuda, ao lado de
adolescentes que merecem o mérito deste meu trabalho, bem como os artigos de
jornais e revistas, assinados por pessoas competentes no assunto, alguns sites
da Internet, e ainda os livros, nos quais aprendi muito a respeito da
adolescência. E as pessoas com quem conversei: familiares, amigos, parentes,
pais de adolescentes e educadores. Todas estas pessoas, também, me deram a
atenção necessária para que eu pudesse, através de suas considerações para com
este meu propósito, conseguir ir além de minhas expectativas, acreditar mais e
mais que eu estava no caminho certo...
A
forte disposição com a qual eu escrevia cada capítulo, abordando os assuntos
que julguei de grande importância para você, seus pais e educadores, me fez
sentir uma defensora das ideias que lancei neste livro. Não são muitas, admito,
mesmo porque há tanto ainda para se discutir, mas acredito que elas abrangem,
de maneira geral, o enfoque que eu quis dar à sua questão, o meu ponto de vista
em torno do assunto, melhor, da vida do adolescente.
Sei
que você poderá me questionar. Não sou a dona da verdade, nem tive esta
pretensão, e creio que a ninguém é dado este direito. Contudo, posso garantir
que busquei o melhor para toda esta abordagem.
E
agora adolescente?
Bandido
(a) ou mocinho (a), você é sempre o alvo de homéricas discussões. E estas
polêmicas estão dentro de casa, estão na TV, na Internet, nos livros e nas
reportagens de jornais e revistas. Estão também aqui, neste livro que você está
terminando de ler. Mas, antes que eu coloque o meu “até breve”, quero que saiba
que eu torço, e muito, por você! Desejo que lhe aconteça, durante esta sua
adorável adolescência, só coisas boas, para que tudo o que você julga que é o
melhor para sua vida. Porém, não se esqueça de que você é responsável e tem uma
vida inteira pela frente!
E
agora adolescente?
Siga
o seu caminho... E anote naquela sua agenda cheia de “hem-hem-hem” que a nossa
vida é o bem mais precioso que podemos ter.
Vá
cuidar da sua vida!!!
Até...
#######
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
DEPOIMENTOS DE JOVENS ADOLESCENTES - TOMO II
DEPOIMENTOS
DE JOVENS ADOLESCENTES – TOMO II
Saí
em férias, para terminar de escrever este livro. A primeira semana, passei em
Cabo Frio, e a segunda, na cidade de Búzios, ambas no Estado do Rio de Janeiro.
A
pauta para este capítulo já estava traçada: eu realizaria uma pesquisa junto
aos jovens, nestas duas cidades que, sabia, eles viriam de outras tantas. De
fato, eu os encontrei nas praias, nas ruas, nas lojas, nos restaurantes e nos
barzinhos agitados.
Durante
alguns dias, com meu mini gravador à mão, entrevistei cerca de 30 adolescentes,
com idade entre 12 a 17 anos, que não colocaram empecilho algum em responder às
minhas perguntas. Com muito entusiasmo, foram prestativos e cooperaram.
Consegui,
também, antes mesmo de colocar o ponto final neste livro, a ajuda de vários
amigos “Net-Boys e Net-Girls” que tenho em minha rede social, o Facebook. Mesmo
não os conhecendo pessoalmente, apenas duas dúzias deles, todos atenderam ao
meu “chamado”, quando os convoquei para que pudessem, “in box”, responder às
mesmas perguntas que fiz com os adolescentes, que encontrei em minha viagem de
férias. A todos eles, registro, aqui, o meu sincero agradecimento: “Valeu,
moçada bacana!”
Formulei
apenas sete perguntas, que considerei necessárias e significativas, já que elas
me dariam, com certeza, o respaldo, o apoio e suporte para alguns dos assuntos
que tratei neste livro. São elas:
·
A - Qual é a sua idade?
·
B - Você está satisfeito (a) com a sua
adolescência?
·
C - Você se considera um (a) jovem
tranquilo (a), ou está cheio (a) de “grilos”?
·
D - Como gosta de curtir a sua vida?
·
E - Preocupa-se com os estudos?
·
F - Você é do tipo “família” ou acha que
vive melhor com a sua turma?
·
G - Se alguém lhe chama de
“aborrecente”, como você responde a isto?
Após
ouvir as várias fitas com as respostas destes jovens, selecionei apenas algumas
entrevistas para serem aqui publicadas, já que elas são a amostra do resultado
desta pesquisa. Todas me foram de grande valor, as transcritas ou não, pois
revelam o pensar e o agir dos nossos jovens. Da mesma forma, assim que me foram
chegando os e-mails com as respostas dos meus jovens amigos do Facebook, que
toparam, e foram quase 70 deles, selecionei as que mostravam melhor o perfil
dos adolescentes...
Para
guardar suas identidades, apenas coloco sua idade verdadeira, apontando-os como
“Garota” ou “Garoto”, apenas para a identificação do sexo. Suas respostas
obedecem a ordem das perguntas já enunciadas. E reproduzo, sem tirar nem pôr,
originalmente, as suas próprias palavras.
#
GAROTA (Paraty-RJ)
A
– 15 anos.
B
– Mais ou menos... Está faltando mais liberdade.
C
– Tranquila. Tenho uns grilos, que são passageiros, e acabo encontrando as
respostas com meus pais, meus primos, meus amigos.
D
– Saindo bastante, namorando... Gosto de passar um tempo na Internet, nas redes
sociais, para bater papo.
E
– Bastante, bastante! Nunca tirei uma nota vermelha. Às vezes, eu dou uma
fugida dos estudos, mas sempre estou na linha.
F
– Acho que sou meio a meio... (Risos.)
G
– Não me considero uma aborrecente, não! Não me envolvo muito com as pessoas.
Não admito que me chamem assim, porque não dou motivo, só se for porque eu não
dou confiança para isto. Eu fico na minha mesmo. Se os pais estão sendo
chamados de “avorrecentes”? É isto? Avorrecentes? Legal... Ainda não tinha
ouvido falar... Não! Mesmo eu achando que os meus pais não me entendem,
acredito que eles querem é me colocar no caminho que, para eles, é o “certo”,
entende? Eles vão ser mesmo avorrecentes, quando forem avós, não é mesmo? Aí,
vão querer mandar até nos netos, nos filhos da gente. (Risos.)
#
GAROTO (Búzios – RJ)
A
– 16 anos.
B
– Estou “de boa”.
C
– Não! Sou tranquilo até demais quanto a isto.
D
– Gosto de praia... Desta, onde estamos agora... Hãm... Internet, claro! Às
vezes, curto uma balada. Futebol com os amigos.
E
– Muito. Eu até que gosto de estudar, sabia?
F
– Não... O melhor é a família. Esse lance de “tribo”, “gangue”, turma... Não
leva a nada. Só mesmo à diversão, aos bate-papos e tal. Por que? Porque nem
todos, que dizem ser amigos, não são de verdade.
G
– (Risos.) Ah! Eu falo que não sou aborrecente... Já até me chamaram, um tempo
atrás, viu? É a fase. Cada adolescente tem a sua, até mesmo de pentelho, que
fica enchendo o saco de todo mundo...
#
GAROTO (Teresópolis – RJ)
A
– 14 anos.
B
– Sim...
C
– Minha adolescência está indo bem. Não tenho nenhum grilo, não. Aprendo tudo
com meus pais, na escola, com amigos...
D
– Nos finais de semana, vou para alguma balada... Sem nada de drogas, porque
isto aí não leva ninguém a nada, não leva para o futuro. Também curto muito de
jogar na Internet, ou em casa, sozinho, o Playstation.
E
– Eu estudo muito. Gosto... Quero servir a Aeronáutica!
F
– Família! Dependendo da turma, é legal viver entre amigos, mas o pessoal tem
de ter cabeça boa.
G
– Ah! Já ouvi falar esta palavra aí. Mas, eu? Eu não sou um carinha
aborrecente, não. Cada um tem o seu jeito. Não abuso da liberdade, e levo tudo
dentro do possível. Acho que sou um adolescente saudável. Valeu?
#
GAROTA (Angra dos Reis – RJ)
A
– 13 anos.
B
– Estou legal...
C
– Tranquilíssima! Não tenho grilos nenhum, mesmo... Você não acredita? Mas é
verdade!
D
– Gosto de viver bem na paz. Não sou muito de sair, badalar, essas coisas...
Nem tenho namorado. De vez em quando, só paquera mesmo. Curto praia, violão,
músicas. Adoro entrar no Facebook e postar fotos bem legais. Esse lance de
papos com os amigos...
E
– Olha... Eu até que estudo. Não mato aula, e faço meus deveres.
F
– Família, cara! Sou mais tipo “família” mesmo. A turma não me ajuda em nada.
Ninguém bate com as minhas ideias...
G
– Aborrecente? (Risos.) Ah! Fala sério... Tem muito adulto que é... Sabia?
Eles, sim, é que vivem nos aborrecendo com tanta proibição, estas coisas de
discursos, de conselhos chatos... Eu sei que eu é que não sou! Acabou? Olha...
Sucesso para você, viu? Gostei de ajudar aí.
#
GAROTO (Cabo Frio – RJ)
A
– 15 anos.
B
– Estou totalmente satisfeito.
C
– Sou tranquilo. Não tenho muitos grilos, mas a maioria tem... Os meus? Eu os
guardo e vou tirando as dúvidas por aí...
D
– Gosto de viajar. Namorar, de vez em quando. De praia, curtir com os amigos em
algumas baladas... Adoro filmes. Internet também...
E
– Eu frequento as aulas, não mato aula... Gosto de estudar, pois eu quero ter
uma profissão no futuro. Ser alguém com um trabalho legal, que me dê muito
dinheiro.
F
– Ah! Eu acho que eu fico mais tempo com os amigos, mas também fico com meus
pais. Com os amigos, eu me divirto mais...
G
– Meu pai me chama assim, às vezes... (Risos.) E eu digo que não posso fazer
nada contra isto. É tudo da nossa idade. Eu me considero, mais ou menos, um
aborrecente, sendo consciente e também inconsciente.
#
GAROTO (Rio de Janeiro – RJ)
A
– 14 anos.
B
– Estou numa boa. Vivo legal, sim, com a minha condição de adolescente.
C
– Sou tranquilo. Só tenho grilos na cabeça de vez em quando. Procuro consultar,
primeiramente, os meus pais. E se eu não consigo esclarecer minhas dúvidas, aí
eu procuro os amigos, e na maioria das vezes eu esclareço tudo.
D
– Eu saio muito à noite, nos fins de semana. Nos outros dias, fico em casa.
Gosto de praticar esportes, de jogar na Internet... Tem muito jogo legal! Curto
praia também. Balada? Adoro...
E
– Mais ou menos. Já matei muita aula, mas acabo passando de ano.
F
– Dos dois, viu? Eu me dou bem com meus pais, mas fico muito tempo com os
amigos. Adolescente tem de estar com adolescente. Viver em turma, viver aquilo
que é do adolescente...
G
– Já me chamaram, muitas vezes. Eu não ligo... Na maioria das vezes, eles falam
assim só de brincadeira. Talvez eu possa ser um aborrecente, e não dou conta de
que sou mesmo! (Risos.)
#
GAROTO (Búzios – RJ)
A
– 17 anos.
B
– Estou... Eu me dou bem com meus amigos, com meus pais.
C
– Estou tranquilo. Meus pais são muito abertos comigo. A gente conversa
bastante. Acho que sou privilegiado por isso.
D
– Eu gosto de praia, com os amigos. Gosto de esportes, de acampar, de ficar nos
barzinhos, à noite, nas baladas... Tenho uma namorada atualmente. Ela sai muito
comigo. De vez em quando, eu tomo um copo de cerveja, mas prefiro bebida mais
saudável. Qual? Água, muita água, e também um isotônico, quando pratico vôlei,
futebol...
E
– Vou indo bem nos estudos. Não mato aula, não. Nem para namorar... (Risos).
Temos de ter um futuro, com uma boa profissão. Quero ser jornalista.
F
– Eu saio bastante com alguns poucos amigos. Mas saio também com meu pai. De
vez em quando, nós dois vamos num barzinho aqui em Búzios. Jogo peteca com ele.
Sou muito amigo dele. Minha mãe? Também sou amigo dela e das minhas três irmãs.
Às vezes, a gente briga. Faz parte. Viver em turma é bom, mas tem de acompanhar
os pais também... Faz falta!
G
– A minha família já me chamou, tempos atrás, de aborrecente. Levei na
brincadeira. Acho que meus pais até já aprontaram mais do que eu, na juventude
deles, mas não dão o braço a torcer.
#
GAROTA (Cabo Frio – RJ)
A
– 14 anos.
B
– Ah! Estou... Mas eu acho que tenho ainda muita coisa para aprender...
C
– Sei lá. Eu sempre tenho algumas dúvidas. Aí, eu acho que tem tempo ainda para
resolver cada coisa que passa na minha cabeça.
D
– Praia, baladas. Adoro ficar com minha turma... Em casa, fico um bom tempo na
Internet, em minhas redes sociais, postando mil lances! Isto é bem divertido.
Adoro!
E
– Eu me preocupo, sim. Estou sempre estudando e não mato aula por conta de
ficar zoando por aí.
F
– Agora, eu sou dos dois. Gosto da família, mas curto muito os amigos... Do meu
prédio, do colégio. A gente precisa viver com gente da nossa idade. Todo
adolescente precisa, não é mesmo? Mas, vou contar para você... Um colinho de
mãe é tudo de bom!
G
– Já me chamaram, sim! Eu acho que, dependendo do momento, eles podem até estar
certos ou errados. Eu não ligo, não! Quando estão errados, aí eu brigo. Bato o
pé de digo: “Pô, sou uma adolescente, e estou vivendo a minha vida, gente!”
(Risos.).
#
GAROTA (Rio de Janeiro – RJ)
A
– 16 anos.
B
– Estou tranquila, acho! Tudo que a adolescência me proporciona, eu transo numa
boa, muito mesmo!
C
– Ah! Cheia de grilos, apesar de estar bem. Tem muita coisa errada. Tem gente
que gosta de ser a “ovelha negra” da família, e eu sou uma! A que faz tudo
errado, sabe? Todo mundo é “santinho” e só você é a errada. Essas coisas...
Eles me consideram a “louca”. Chego tarde em casa, porque eu estou curtindo. Se
eu faço coisa errada, eu tenho consciência numa boa.
D
– Curtir a vida? Nossa! Sair com meus colegas, com meus “roqueiros” para dormir
no cemitério. Nem sei que graça teve isto, mas foi bem louco! Ou então... Ficar
em casa, trancada dentro do quarto, ouvindo música, um “rock” pesado. Adoro!
Mas gosto também de MPB. Ah! Praia, Internet, baladas... Essas coisas que todo
mundo gosta.
E
– Estudos? Veja bem... Estou parada no momento. Eu tive umas complicações...
Daí, eu parei. Mas, em breve, vou voltar a estudar. Acho até que perdi o ano!
F
– Eu estaria mentindo de dissesse que sou tipo “família”... Sei que curto mais
os amigos neste momento. Quando eu era “pirralha”, eu ficava mais com meus pais
e irmãos. Hoje, prefiro a minha “tribo”, tenho mais liberdade com os amigos.
G
– Depois de tudo o que eu fiz? Só posso ser mesmo uma aborrecente para os
outros. Acho que eles me consideram assim até hoje, desde quando eu me tornei
uma adolescente. (Risos.) Mas eu sei que eu me arrependi. Olha esse mar... Tem
coisa mais linda? Eu quero é viver bem... Aborrecendo os outros ou não! Desejo
o maior sucesso para o seu livro. Que bom que eu ajudei... Pode escrever tudo,
tá? Valeu, escritora!
#
GAROTA (Vitória – ES)
A
– 17 anos.
B
– Está valendo a minha adolescência, sim! Dentro de alguns meses, vou virar
adulta...
C
– Eu sempre fui tranquila. Claro! No início de minha adolescência, eu tinha
mais grilos na cabeça. Quais? Eram vários, tipo... Minha menstruação. Assim que
ela chegou e até dois anos depois, ela era muito irregular. Eu ia sempre ao
médico. Minha mãe me levava. Cheguei a tomar pílulas para regular, sabe? Eu
tinha grilos com os namorados, com este lance de namoro, do jeito que seria...
Estas coisas. Eu era uma menina meio estranha. (Risos.)
D
– Eu danço muito, sou bailarina e gosto de música, até mesmo da clássica. Nos
fins de semana, vou passear com meu namorado, em algumas baladas. Ele está
comigo aqui em Búzios. Ah! Praia, claro!
Gosto de viajar, como agora, conhecendo pessoas novas, bonitas,
inteligentes. Acho que eu curto a vida curtindo a própria vida, tudo o que ela
me proporciona. É isso aí!
E
– Sou ligada nos estudos, sim. Quando era mais nova, eu não ligava muito.
Matava aula, não fazia os deveres. Achado um saco! Mas, depois, já crescida,
tomei consciência da importância dos estudos em nossa vida. Quero ser uma
grande profissional..
F
– Eu já fiquei muito em casa, curtindo este lance de “família” unida... Fui
muito comportada. Desde os 15 anos, eu saio muito, adoro minha turma de amigos.
Agora, fico mais com meu namorado, apesar de nós termos muitos amigos em comum.
G
– Eu acho que já passei desta fase, você não acha? Conheço também muitos
adolescentes, mais novos que eu, que são, sim, bem aborrecentes, viu? Eu devo
ter sido também. Afinal, quem nunca aborreceu alguém? Mas, quer saber? Adoro
estes aborrecentes... (Risos.)
#
GAROTO (Macaé – RJ)
A
– 16 anos.
B
– Estou sim! Está tudo ótimo. A adolescência é a fase melhor da vida!
C
– Nossa! Estou tranquilo. Tranquilo até demais...
D
– Agitando todas. Sabe o que é “todas”? Nossa! Tudo o que a vida me dá
direito... Altos agitos com a galera, zoar bastante... Ichi! Zoar? É fazer
tudo, tipo... Tudo com os amigos, sair por aí, à noite, para as baladas.
Divertir nos barzinhos, como este... Neste lugar legal onde estamos. Aí...
Namorar bastante também. Internet? Muito! Vivo nela...
E
– Que nada... Para falar a verdade, não curto muito não! Mas, a gente tem de
estudar, passar de ano, ter uma profissão, enfim...
F
– Família, família, família... É o bicho! Eu gosto da minha família. Acho que a
gente tem de estar junto de vez em quando. Eu fico lá em casa com eles, meus
pais e irmãos, mas nem sempre. Eu gosto mesmo é de ficar com a minha “trupe”,
sabe? Os caras são legais, todo mundo tem uma cabeça boa, a gente tem os mesmos
lances, os lances que gostamos de curtir. Mas eu não faço nada de errado não.
Tenho, assim, esse meu jeitão de cara que num tá nem aí, mas eu vivo limpo! A
gente, de verdade, só quer mesmo é a diversão, entende? Diversão sadia. São as
noitadas, ou então a praia, pela manhã, nos fins de semana. Com os amigos, eu
bato uma bola, jogamos vôlei... Tá vendo? Eu curto muito a minha
adolescência...
G
– Ichi! Aí... Lá em Macaé, tem gente que fala este lance de “aborrecente”. Mas
não para mim. Eu acho que não aborreço ninguém. Pode ter uns caras...
Adolescentes “pirralhos”, sabe? Estes, sim, aborrecem as pessoas, seus pais...
Não sei! A coisa é complicada. Ou se é aborrecente, ou não. Eu não sou. Me
livra dessa, hein? Valeu! Sucesso para você e este seu novo livro aí. Já anotei
aqui na cabeça!
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sábado, 31 de agosto de 2013
AFINAL, QUEM SÃO OS ADOLESCENTES?
AFINAL,
QUEM SÃO OS ADOLESCENTES?
Dizem,
por aí, que eles são irreverentes, inconvenientes, mal-apessoados, mal-agradecidos,
aborrecentes... Vivem boa parte do tempo ligados à Internet, dependurados ao
telefone, gostam de chamar a atenção, têm problemas com os estudos, têm gosto
musical diferente das pessoas “normais”, se vestem de uma maneira singular,
para mostrar sua rebeldia, revelam surpreendentes traços de sua personalidade,
são “animais”, zoam sem limites, levam um ritmo de vida diferente, usam drogas,
são alienados, são desobedientes, são totalmente inconsequentes, são
absolutamente adolescentes, aborrecentes, rebeldes, que piram a cabeça dos mais
velhos com toda a sua loucura...
O
adolescente está sempre desejando alguma coisa nova, e jamais está satisfeito
com o que tem ou ganha. Ele quer tudo, o mais novo possível: celular,
computador, skate, videogame, patins, guitarra, bateria, bicicleta, moto, e
sabe lá mais o que! Os “Teens”, como são chamados os jovens com idade entre 13
a 19 anos, agem da mesma forma quando andam em turma. Têm os mesmos gostos,
curtem o mesmo tipo de música, gostam dos mesmos lugares e adoram os sanduíches
de dois andares, além de pizza, pipoca e salgadinhos empacotados.
Os
também chamados “pentelhos” detestam verduras e legumes, a não ser os que
aderem à moda saudável do naturalismo. E ainda por cima são exigentes demais, estão
sempre desejando impressionar.
Eles
gostam de usar camisetas com estampas das mais diversas, às vezes do tipo bem
radical, ou então com um monte de escritos tipo baboseira pura, apenas para
barbarizar com a própria galera ou com os adultos.
Uns
usam aparelho nos dentes, e toda semana mudam a cor das borrachinhas, outros,
óculos. Possuem diários secretíssimos e curtem ouvir um som, quando a aula está
super chata. E têm as agendas gordas de tanto “hen-hen-hen”.
Muitos
jovens, por qualquer vacilo com a turma, acabam pagando o maior “mico”. E
quando não admitem seus erros não dão o braço a torcer, e alegam um ataque de
amnésia, ou então de “bobeira” mesmo. Eles detestam a palavra “proibição” – ela
está definitivamente abolida de seu dicionário – mas são sempre flagrados
fazendo besteira. Uns, menos avisados, mexem com fogo e acabam provocando um
incêndio. Eles gostam de privacidade total, e acham que o melhor lugar para se
ler uma revista é o banheiro.
Os
adolescentes sentem um verdadeiro horror quando “chamam o Juca” pela primeira
vez, mas sempre esquecem o fatídico primeiro porre, e acabam chamando o tal do
Juca tantas vezes quanto forem necessárias, até que aprendam a beber
“socialmente”. Estão, também, à procura de algo, que nem sempre sabem a
respeito, não sabem identificar o que necessariamente procuram.
Uns
gostam de dormir, só para ficar sonhando. Afinal, o adolescente é um eterno
sonhador!
De
vem em quando, engessam um braço ou uma perna, quando não engessam os dois ao
mesmo tempo. São traquinas demais...
São
românticos e gostam de curtir shows de megastar do Rock ao vivo, nos grandes
estádios, de preferência espremidos no gramado, porque a galera é quente e
aconchegante, quanto mais espremidos melhor.
A
maioria dos jovens acredita que tem talento para as artes: teatro, música,
fotografia, literatura...
Os
jovens adoram desafios para superar seus próprios limites, e querem mais é a
sensação de liberdade, de correr grandes perigos, pois a eles é dado o ímpeto
próprio. Fazem tatuagens pelo corpo, e, quando adultos, irão se arrepender
amargamente. Será?
As
meninas não vêm a hora de começar a depilar axilas, virilha e pernas. Os
meninos, fazer a barba. Alguns de aventuram e acabam se cortando, mas a
cicatriz da imprudência já lhes é um grande troféu. Questionam e questionam, e
acabam enlouquecendo a si mesmos e a todos à sua volta.
Estes
são os nossos adolescentes! E cada um deles irá adquirir a condição de um
verdadeiro adulto depois dos vinte anos de idade, quando sua maturidade física
for completada pelo equilíbrio psicológico e uma integração social satisfatórios.
E só então a palavra “aborrecente” deverá sumir de vez de suas vidas!
#######
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
A IDADE DAS CONTESTAÇÕES
A
IDADE DAS CONTESTAÇÕES
-
“Que fase! Os jovens contestam tanto... Estão muito rebeldes!”
Quem
já não ouviu esta frase?
Tantas
pessoas dão ênfase ao assunto, estão rotulando os jovens e nem procuram as
respostas para suas contestações. Mas, pouco se fala, ou se publica, sobre as
dificuldades que os pais, e mesmo os adultos em geral, têm em aceitar a transformação
que passa o adolescente. E muitos não sabem sequer estabelecer uma boa relação
com os filhos.
Quando
a conversa em discussão é a criança, os pais expressam uma opinião uniforme.
Isto já não ocorre quanto o assunto é o adolescente. Muitos pais tomam atitudes
de espanto, temor e até mesmo de hostilidade, além de mostrarem seus
sentimentos de distância e indiferença. Esta maneira de agir mostra que quanto
menos eles se envolverem com o assunto melhor. Não participam da evolução
social e por isso se abstêm de qualquer opinião ou envolvimento. Psicólogos
comprovam estas atitudes em seus estudos.
Acredito
que os pais devem seguir, passo a passo, a evolução das necessidades e mudanças
de seus filhos. Esta é uma atitude normal, tentando compreender e, sobretudo,
respeitar seus sentimentos e direitos. Devem permitir um mútuo entendimento,
quebrando as barreiras que tanto sacrificam pais e filhos.
Já
está comprovado, os pais que melhor se envolvem com a realidade têm mais chance
de ensinar e orientar melhor os seus filhos, mostrando-lhes como enfrentar os
desafios, não os afastando dos perigos, já que todos somos vulneráveis a eles.
Os
pais devem ter mais consciência e reflexão em relação à educação que dispensam
aos filhos, tendo uma conduta que os levem ao diálogo, para consolidar uma
relação de confiança, de mais amizade, e consequentemente mais amor!
Na
fase da adolescência, é normal o jovem contestar, esbravejar, até dizer
besteiras infundadas. Ele se sente no direito disso e daquilo. O adolescente
reina, com sua coroa recheada de louros que ele mesmo vai os colocando, à
medida que se sente o rei de toda e qualquer situação.
Geralmente,
o jovem é idealista demais e quer mudar o mundo, e muito mais ainda quando ele
acha que o mundo todo está contra ele: “Ah! Não! Tudo acontece de ruim comigo.
Que droga de vida! Dá vontade de sumir...”
E
aí? Sumir para onde?
Ele
quer sair de casa, com uma mochila às costas e nada mais. Quer dar um tempo da
família. Não suporta mais tanta pressão, e por isso pensa que lá fora vai poder
respirar mais aliviado, e o seu mundo será melhor, mais colorido, cheio de
vida. Quantos jovens assumem esta posição e não voltam. Vivem uma utopia, mas
preferem não admitir a derrota. Consideram-se senhores de si mesmos e querem
mostrar ao mundo que podem vencê-lo. Uns acertam, já outros acabam se
entregando à marginalidade, infelizmente. Porém, há jovens que não aguentam
quanto a barra começa a pesar, e aí a “coisa pega” e voltam rapidinho para o
aconchego do lar, para o seio da família, de onde eles jamais poderiam se
ausentar enquanto não tivessem condições. Admitem o erro, e muitas vezes são
recebidos como os filhos prodigiosos, com toda a pompa, ou então os pais os
recebem com indiferença, e estes filhos são obrigados a resgatar o seu amor e
confiança.
Há
pais que não sabem bem como lidar com os desejos súbitos dos filhos, e com suas
manias e vícios, que adquirem como hábitos normais, e que acabam irritando os
mais velhos. Por isso mesmo, estes pais, diante desta constante irritabilidade
e para se verem logo livres dela, acabam cedendo aos caprichos, ou então
procuram castigar os filhos. Chantageiam, muitas vezes, para disfarçar a
preocupação que têm em protegê-los, e assim agem com imposições e muito
controle: “Quero o seu bem, meu filho.” “Tudo o que faço é com a melhor das
intenções.” De forma bastante autoritária, para que o filho não tenha chance de
argumentar, sofrendo calado este tipo de pressão. E sendo assim o filho vai
agir de maneira compulsiva, contestando a seu modo, pois o jovem, muitas vezes,
não liga a mínima para regras e convenções.
Chego
a comparar o nosso jovem ao “anel da energia e do humor”. A cada dia, ele
levanta com uma cor, e é capaz de ir mudando-a da manhã à noite.
Nós
adultos pensamos muitas vezes em qual seria a melhor maneira de agradar aos
jovens. Tentamos de um lado e de outro. Se na maioria das vezes não o
conseguimos, de quem á a culpa, afinal?
Com
certeza, psicólogos e psicanalistas podem responder a esta questão, mas eu
creio que é simples a resposta: a culpa não está no adulto nem no jovem. Ambos
estão simplesmente agindo à sua maneira. O adolescente tem uma posição perante
à vida, que lhe é peculiar, e os adultos têm outra. Não conseguem agradar um ao
outro.
Muitos
pais têm o desejo de ensinar o “caminho das pedras” aos filhos e se desdobram
por isso. Mas, os filhos querem, e necessitam, descobri-lo por si mesmos. Para
eles, é imprescindível esta busca, que funciona como uma autoafirmação. O jovem
tem sede de poder sobre ele mesmo, daí tantas contestações!
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domingo, 18 de agosto de 2013
ADOLESCENTE X ADOLESCENTE
ADOLESCENTE
x ADOLESCENTE
Há
adolescentes que não curtem a vida por conta do trabalho. Muitos deles começam
a trabalhar a partir de 11 anos de idade, para ajudar com as despesas da casa.
Alguns são arrimos de família. Estes não têm os mesmos privilégios que a
maioria dos jovens, de classe média a classe alta, goza: roupas de grife,
educação nos melhores colégios particulares, tratamento dentário de seis em
seis meses, seguro de saúde e de vida, refeições fora de casa, mesada, cartão
de crédito, festas nos fins de semana, viagens de férias, TV, celular,
videogame, computador, tablete, a obrigação de nada fazer a não ser estudar e
se divertir (namorar, dançar, praticar esportes), assistir a bons espetáculos
no teatro, frequentar clubes e cinemas... Os jovens necessitados se preocupam
com as contas a pagar no final do mês, ajudam na arrumação da casa, tomam conta
dos irmãos menores, fazem um “bico” aqui e ali para compensar o baixo salário
que recebem, ganham roupas usadas, que já saíram de moda, estudam na biblioteca
e em livros usados, vão á escola sempre com o mesmo uniforme surrado, não saem
de férias...
Os
jovens que não têm uma boa vida, às vezes, nem sentem a sua adolescência passar.
Devido às necessidades que já são impostas ainda na fase de criança, se veem,
de uma hora para outra, às voltas com as responsabilidades familiares, e da
noite para o dia tornam-se adultos, e adeus à sua bela juventude! Estão à
procura dela apenas na visão de outros jovens, aos quais a vida permitiu o gozo
de uma juventude plena e saudável.
Penso
que os jovens que recebem na palma da mão a majestade de uma adolescência rica
e sadia, muitas vezes não encontram o significado dela, e com toda a primazia
que desfrutam ainda se sentem aborrecidos e acabam aborrecendo todos à sua
volta. Já os jovens necessitados, estes, sim, com certeza, têm motivos de sobra
para se aborrecerem!
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