sexta-feira, 14 de junho de 2013

A BUSCA DA IDENTIDADE



A BUSCA DA IDENTIDADE

 

Os jovens dão vazão à sua vitalidade natural.

De acordo com os estudos de Maurício Knobel - psicanalista argentino -, os padrões de comportamento na conduta caótica e contraditória do adolescente passam por fases místicas e fases de absoluto ateísmo. Assim, os jovens tentam achar soluções para a angústia que sentem ao buscar identificações positivas.

Analisando estes estudos, percebo que o nosso jovem vivencia sentimentos de medo, frustações, ódio e revolta. E se estes momentos de crise “solitária” o levam às mudanças positivas, aumentando a sua consciência, despertando a sua potencialidade interna e levando-o a compreender que a dor e o sofrimento são necessários, então acredito que toda esta reflexão só poderá fazê-lo buscar uma vida melhor e mais saudável. Para Maurício Knobel, é justamente neste momento que o jovem procura a sua identidade, seja ela religiosa ou ideológica.

O jovem está sempre esbarrando em algum problema existencial. E este fato o aflige, obrigando-o a pensar sobre a questão que o incomoda. Assim, penso que é nesta hora crucial, mas mágica e transformadora, que ele se liberta de suas aflições, incertezas e inseguranças. Ao se posicionar ideologicamente, o que lhe é bastante confuso, está buscando uma identidade. Está preocupado com o futuro e imagina mil reformas para o mundo no qual ele vive. Até passa por sua cabeça salvar a humanidade. Por isso, começa a escrever contos, versos, diários, e se dedica a atividades artísticas.

Enquanto preparava este livro, tive acesso a vários escritos de alguns jovens, que me concederam a honra de lê-los. Muitos deles são confidenciais, trancados a sete chaves, apenas um rascunho daquilo que lhes é sagrado, memórias íntimas. Constatei, através de diários, principalmente, que o nosso jovem sabe bem o que não quer ser, contudo está extremamente confuso com o que ele quer fazer de si mesmo. Diante do fato que logo terá uma identidade adulta, ele se refugia no seu mundo interior, como se procurasse insistentemente aquela criança que já foi um dia.

Positivamente, eles têm medo de crescer e isto os assusta, como se fosse um bicho de sete cabeças. São tantas as dúvidas e as incertezas... Há um turbilhão delas! Além de se preocuparem com esta questão, ainda bordam as preocupações com princípios éticos, filosóficos e sociais. Isto é uma característica do adolescente; esta necessidade de intelectualizar-se e fantasiar. São manifestações típicas nesta fase, segundo pesquisas.

Preocupa-me o fato de que o jovem ao buscar sua identidade dominante e positiva, significativa, ele apresente flutuações de identidade bastante exageradas no que tange à maturidade, bondade e afetividade.

Lendo e relendo os escritos que me foram confiados, constato uma grande distância da jovem que fui com o jovem de hoje. Considero que os tempos mudaram mesmo e por isso sinto a necessidade de compreender, cada vez mais, esta juventude!

 

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

UM CERTO RELAXAMENTO


UM CERTO RELAXAMENTO

 

Dizem, e muitas vezes comprovam, que o jovem é um ser relaxado, descuidado e negligente. Não cuida bem de sua higiene e nem tem cuidados com suas próprias roupas. Em suma, é um desmazelado. E ainda pratica ações cruéis e tem ares de prepotente. Devido ao seu egoísmo e desconsideração, gera conflitos com seus familiares. Na escola, deixa claro o seu desinteresse pelos estudos e por isso prefere, muitas vezes, não frequentar as aulas. E parece que carrega às costas um cartaz, onde se lê: “Também sou insubordinado e irresponsável.”

Não vamos aplaudir este relaxamento, mas podemos perfeitamente tentar entende-lo. Os pais e educadores preferem analisar, rotular esta conduta irregular dos adolescentes como sendo uma regressão. Sentem que as conquistas educativas estão sendo ameaçadas de uma maneira brusca, e por isso estão temerosos. Já o jovem faz um grande esforço para controlar estes seus impulsos desordenados, próprios desta fase. Muitas vezes, ele se reprime intensamente, ou então irá defendê-los, recorrendo a outras formas. Suas forças conscientes estão em constante luta contra estes impulsos instintivos; são espontâneos, e por esta razão, impensados. De tal forma, o jovem se vê numa situação conturbadora. Mas esta luta travada é uma tentativa benéfica, onde ele se apoia para buscar paz e harmonia.

De acordo com pesquisas e estudos, o desequilíbrio da personalidade do adolescente se manifesta também na forma de sintomas parecidos com os das pessoas neuróticas ou de conduta antissocial.

Penso que estas condutas “anormais” dos jovens são transitórias e duram seu tempo, o que, aliás, é comprovado. Admito que muitos deles são rebeldes e descompromissados com suas atitudes. Entretanto, há jovens de 13, 14 e até mesmo de 16 anos, que não demonstram tais inquietudes. Assim como o foram durante a infância, continuam sendo bons filhos e respeitosos para com seus pais, totalmente atados aos vínculos familiares. Porém, psicanalistas consideram que essa “normalidade” é de fato anormal. Este comportamento “muito certinho” significa um atraso no desenvolvimento normal, e que, para permití-lo, irão precisar da intervenção terapêutica, para se eliminar as restrições interiores, causadas pelo excesso de defesas que os jovens criaram contra os impulsos espontâneos.

Assim, este relaxamento e condutas anormais dos nossos jovens são de pequena duração. Caberá aos pais e educadores aceitarem, conduzindo da melhor maneira possível, toda esta inquietação pela qual o jovem passa, sem ter as rédeas do comando geral.

 

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sábado, 1 de junho de 2013

TUDO CERTO, COMO MANDA O FIGURINO



TUDO CERTO, COMO MANDA O FIGURINO

 

Enquanto ocorre toda esta transformação, citada no capítulo anterior, que afeta o mais íntimo do organismo do adolescente, ele passa a se sentir como o expectador de seu próprio corpo, assiste a uma forma de espetáculo com o qual ainda não está familiarizado. Portanto, estas mudanças irão despertar no jovem uma grande preocupação, uma espécie de inconformismo em relação à sua própria identidade. Daí o fato de os adolescentes se estranharem e até mesmo se tornarem insatisfeitos, pois se recusam a aceitar o próprio corpo. De acordo com pesquisas, o jovem passa por uma descoordenação muscular, por isso tais sentimentos.

Nesta fase, ele ainda tem de se conformar em seguir o “figurino” que os mais velhos lhe ditam. Portanto, se vê quase que obrigado a se sentir desconcertado diante às solicitações do seu corpo em explosão e a limitação de postura. E por aí vai... São recomendações e mais recomendações!

Os adolescentes estão em constantes lutas contra o corpo velho e o corpo novo, se defrontando com uma nova realidade.

Segundo Anna Freud (filha do fundador da psicanálise, Sigmund Freud), em seu livro “Psicanálise do Desenvolvimento da Criança e do Adolescente”, as modificações hormonais revolucionam a vida sexual do jovem. Observam-se mudanças na maneira de exprimir a agressividade e progressos no desempenho intelectual. Ocorrem, ainda, mudanças no caráter e na personalidade, pois uma nova pessoa começa a emergir. Os jovens reavaliam os laços afetivos e as relações sociais. Sentem a perda do papel e da identidade infantis, pois, quando criança, possuía a cômoda situação de dependência e, quando adolescente, assume a responsabilidade da condição de adulto.

Nesta fase, a imagem de “pai e mãe” já não é mais a mesma que possuía quando criança. Do mesmo modo, as coisas e lugares. O adolescente passa do prazeroso mundo infantil - com suas necessidades básicas satisfeitas - para o mundo adulto, onde terá de conquistar sua identidade e sua maturidade.

Assim sendo, os jovens apresentam, durante esta transição, um comportamento totalmente marcado por oscilações devido ao fato do surgimento dos desafios que se apresentam a eles, pesando, ainda, outros aspectos de sua transformação, ou seja, de sua natural evolução. Então não é possível precisarmos o limite entre o que ele julga normal e o que é insalubre nesta fase de sua vida.

Ainda, de acordo com as anotações de Anna Freud, dos conflitos que o jovem passa, resulta um desequilíbrio de sua personalidade. Sua estrutura psicológica ainda não está comedida. O período de latência, o “pulsar”, do desenvolvimento de sua personalidade vai dos sete anos de idade ao início da puberdade. A criança, neste período, é educada e bem comportada, mas, quando adolescente, é insaciável e exigente.

Será mesmo que os jovens estão ávidos e nada lhes satisfaz? Estão extremamente descontentes, e por isso exigem tanto?

A sociedade e as regras de conduta sacrificam os adolescentes nesta fase mais bonita da vida. Como socorrê-los e como suportarmos essa chamada “aborrecência”? Não devemos julgar o comportamento destes jovens, e sim procurarmos entende-los melhor... Estes jovens motivados e instigantes, com suas expectativas que nem sempre correspondem às que tivemos quando jovens. Porque nem tudo é certo e será certo, assim como manda o figurino!

 

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

MUDANÇA E TRANSFORMAÇÃO


MUDANÇA E TRANSFORMAÇÃO

 

Durante o período da adolescência, as atitudes e os valores sofrem uma reviravolta, uma mudança repentina. Mas a mudança anatômica e fisiológica é o principal foco da transformação que acontece no corpo do jovem.

Por volta dos 12 anos, a hipófise (glândula que se localiza na base do cérebro) sofre um “despertar” e começa a estimular os testículos, para a produção da testosterona (hormônio sexual masculino), e os ovários, para a produção do estrógeno (hormônio sexual feminino). Estes hormônios, uma vez em ação, darão início às alterações anatômicas, responsáveis pelas diferenças entre os sexos.

Em frente ao espelho, o adolescente percebe as mudanças que ocorrem em seu corpo, as chamadas características sexuais secundárias, onde os órgãos genitais se desenvolvem acentuadamente, indicando os atributos físicos, diferenciadores do corpo do homem e da mulher.

Os contornos do corpo vão mudando em ritmo gradual:

# Na menina: Por volta dos 11, 12 anos, os seios começam a se desenvolver; a auréola escurece e já despontam os mamilos. A cintura afina-se, a bacia fica mais larga, as nádegas e coxas ficam roliças e torneadas.

# No menino: Por volta dos 13 anos, o timbre da voz ora soa grave, ora emite o som agudo. Braços e pernas se alongam, os ombros ficam largos. O pênis e os testículos aumentam de tamanho. Aparecem discretos pelos no rosto. E o pomo-de-adão (laringe mais volumosa e saliente devido ao hormônio), também conhecido como “gogó”, geralmente aparece aos 15 anos de idade.

Estas modificações determinam, ente outros efeitos, um aumento da deposição de gordura sob a pele. O corpo da menina adquire contornos arredondados, e os meninos apresentam, por pouco tempo, um período de “engorda”, com deposição de gordura nos quadris e ao redor dos mamilos. E ainda, em ambos os sexos, nascem os pelos axilares e púbicos.

O aumento brusco da estatura no começo da adolescência é conhecido como “estirão”; o mesmo que espichar-se. E é ele quem determina também o início da puberdade, na qual ocorre o amadurecimento sexual.

Segundo pesquisas, o crescimento, nas meninas, se completa aos 14 anos de idade. Já os meninos só chegam à estatura definitiva aos 16 anos.

Durante toda esta fase, o adolescente, cuja imagem demora para ficar pronta, não tem noção exata do espaço que ele ocupa. Por isso, às vezes, desajeitados, vivem tropeçando e se esbarrando nas coisas que estão à sua volta.

O adolescente sente necessidade de reconhecer a si mesmo neste período de mudança e transformação. Está sempre se olhando no espelho, para notar as suas mudanças: os pelos que crescem, o nariz que está maior, os ombros que se curvam, a pele que está oleosa. É neste momento que a vaidade aparece, pois ele vai começar a se preocupar com sua forma física, sua aparência. E diante deste processo natural de crescimento o jovem terá de adaptar-se ao seu novo corpo.

Geralmente, ocorrem contradições. Ao mesmo tempo em que ele se sente alegre em verificar os sinais de sua sexualidade, também sente vergonha de demonstrá-los. Isto leva o jovem a sofrer um pouco. Ele se sente tímido e inseguro, e muitas vezes rebelde, pois crê na rejeição, devido a estas transformações, principalmente quando surge o interesse pelo sexo oposto.

 

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

DESVENDANDO O PERFIL DOS JOVENS



DESVENDANDO O PERFIL DOS JOVENS

 

A criança, à medida que cresce, sabe bem como guardar a pureza de sua infância. Mas, quando adolescente, perde e se distancia de sua natureza; do ponto mais importante de sua meninice.

Os jovens são levados pelos apelos da sociedade. São massificados até por abusos de poder. Tudo isso os leva a se posicionarem perante à vida da maneira que lhes é mais agradável. Talvez, mais suportável. E, porque não, mais cômoda.

Há jovens que não são muito “família”, preferem os amigos, a turma do colégio, e com ela ficam bem mais à vontade. Conversam na mesma linguagem e seus ideais são quase os mesmos. Compartilham a sua mocidade da mesma maneira que compartilham seus segredos, suas aventuras e desventuras com grande prazer!

A cara desta nova geração tem mil facetas. E como as faces de uma pedra preciosa, lapidada, esta geração se esmera na aparência e no tipo de comportamento que leva. Dependendo de sua conduta, da postura que tem diante à vida, podemos tomar vários estilos como exemplo. Jovens que prezam a moral e os bons costumes e assumem suas diferenças com a maioria, que é do tipo “desencanado”, que veste calça jeans rasgada, camiseta e jaqueta surradas e ainda cultuam as tatuagens, muitas vezes, exageradas.

Alguns ainda levam os estudos a sério, e vivem por conta deles, mas, à noite, se sentem no direito de se divertirem nas baladas. Adoram um chope e bate-papo, e esquecem da hora de voltar para casa. Uns ligam, avisando onde estão, e outros, quanto menos os pais souberem de seu paradeiro tanto melhor!

Os jovens shoppinianos típicos sentem uma grande curtição, quando, em passeio com a turma, se divertem à sua maneira. Nos shoppings, eles encontram pessoas novas, e as vitrinas e todo o divertimento os fazem esquecer dos compromissos com as responsabilidades que já lhe são impostas em casa e na escola. E estas responsabilidades já pesam nas costas, muito mais que suas mochilas, abarrotadas de livros e deveres...

Indiferentes às consequências, há jovens que não amam tanto a vida e se entregam às drogas, assim como se fossem uma válvula de escape para tanto tipo de aborrecimento, que lhes parece um cavalo de batalha. E se enganam quanto a esta fórmula, que pensam ser mágica.

Mas, o barato mesmo para os jovens são as redes sociais... Nelas, estão em casa. São verdadeiros e curtem uns aos outros. Postam suas vontades, verdades e mentiras! São os “jovens de uma geração mutante, com dedos sempre inquietos em teclados e telas”, de acordo com o filósofo francês, Michel Serres, autor do livro “Polegarzinha”, lançado recentemente, onde afirma: “Estes jovens habitam o virtual, pois através do celular eles têm acesso a todas as pessoas, por GPS, a todos os lugares, e pela Internet, a todo saber.”

Realmente, o fato é que a Web, o “www” (World Wide Web / Rede de alcance mundial) é como se fosse um mantra para os jovens. Nela, também são capazes de tirar suas dúvidas e expectativas também em relação ao amor e às amizades.

Enfim, há jovens com perfis dos mais diversos. Cada um acha que está na sua. E se não está na dele está na dos outros, satisfeitos ou inconformados. Jovens que ainda não se situaram e buscam um caminho, o melhor que lhes parecer. Jovens que têm a cabeça no lugar, e outros, que são capazes de perderem-na por qualquer vacilo. Jovens indecisos. Jovens que já têm convicção daquilo que buscam. Jovens perdidos numa madrugada que custa a passar...

 

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sexta-feira, 10 de maio de 2013

A JUVENTUDE: ÁGUA PURA DA FONTE


A JUVENTUDE: ÁGUA PURA DA FONTE

 

A juventude acaba de brotar no íntimo do novo adolescente e ele nem se dá conta deste encanto. Como água pura da fonte, ela chega totalmente salubre. Assim como um fruto maduro e bom, que dará prazer para quem souber saboreá-lo.

Talvez, a maioria dos jovens de hoje não esteja preparada para vivenciá-la da maneira como o fizeram seus avós e pais. Eles estão cansados de ouvir que na época deles a juventude era como uma rosa desabrochando, e por isso mesmo considerada a “flor da idade”. E aí os jovens têm sempre a mesma resposta na ponta da língua: “Mas os tempos mudaram...”

Exatamente! Os tempos mudaram. O tempo está mudando a todo instante. Não podemos comparar os anos 50, 70 com o nosso tempo atual. São anos e anos de diferença e quem vive no tempo passado jamais vai acompanhar o progresso e as mudanças que vêm ocorrendo desde então. O saudosista do seu tempo não poderá compreender a juventude atual, pois ela não é um parâmetro a seguir. E neste caso sofrem os mais velhos, e sofrem os jovens por pertencerem a uma nova geração. As boas regras de conduta têm sido desviadas por diversos fatores que influenciam a vida dos jovens.

Considerada por psicólogos, psicanalistas e educadores como uma questão delicada, a juventude toma páginas e mais páginas de livros e manchetes de jornais e revistas, tamanha é sua complexidade.

Atualmente, existe uma linguagem nova e direcionada aos nossos jovens. Parece-me que, para lidar com eles, algumas pessoas pisam em ovos, e outras, já nem tanto. São capazes até de tornar as suas vidas um verdadeiro suplício, enquanto opinam sobre seus comportamentos, e nada fazem para ajuda-los. São falsos moralistas, para quem os jovens torcem o nariz.

Penso que os jovens estão vivenciando a efervescência de um tempo mais que acelerado, onde a pressa é a sua majestade. E como culpa-los se acaso estão seguindo o fluxo da vida que hoje nos é imposta? Nós, adultos, estamos também correndo os mesmos riscos que eles. Mas, como temos a mania de pensar que somos mais experientes, vamos sendo levados a corrigir os seus erros, às vezes, a ferro e fogo, para, quem sabe, nos redimir de nossas próprias culpas.

Infelizmente, e como não constatar esta verdade, alguns pais não se encaixam no modelo de pais perfeitos, e contribuem para a alienação de seus filhos. Marcados por várias demonstrações de carência da função destes pais, os jovens sofrem uma verdadeira crise de identidade, desconhecendo o sentido de suas vidas, não dando a mínima para o autoconhecimento.

Aborrece-me, e muito, o fato de que a modernidade seja a causadora de tanta confusão e equívocos. Ideias liberais e educação moderna fazem com que os jovens nem sempre se sintam os “reis da cocada”, pelo contrário, se sentem inseguros e incapazes de administrar o seu próprio prazer, ditado pelas regras sociais.

Lamentavelmente, a “flor da idade” carrega também vários espinhos em seu trajeto. E felizes são os jovens que têm a cautela de não se ferirem tanto...

 

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

UMA ERUPÇÃO VULCÂNICA


UMA ERUPÇÃO VULCÂNICA

 

Normalmente, aparece na menina aos 11 anos de idade, e no menino, aos 12 anos. E esta pode ser a indicação de que eles estão deixando de ser crianças.

Aquela bolha de fervura – a bendita espinha – que nasce na pele, principalmente no rosto, dá as caras logo pela manhã, bem naquele dia em que o jovem principiante foi convidado para uma festa da turma do colégio.

Através do espelho, não gostou nada do que viu. E agora? O lindo rostinho que a mamãe tanto gosta (e neste caso não admite já ser um narcisista), agora vai danar a empipocar. De súbito, nasce a primeira incógnita: “E aí, véi? Vou parecer um monstro com todas estas espinhas bandidas no meu rosto? Ah! Nem...”

O jovem vai ter um ataque. Vai detestar e sentir horror por aquela bolha bem na ponta do seu nariz. A partir deste episódio da florescência magnífica da adolescência, vai querer desistir da festa, ou vai agir, apressadamente, desejando que a pasta de dente resolva até à noite este seu martírio, esta sua aversão por aquela inofensiva espinhazinha, sem saber que ela é o seu “passaporte para a juventude”, que irá viver durante os próximos seis, oito anos de sua vida feliz.

E, juntamente com esta primeira espinha, genericamente conhecida como “acne juvenil”, vêm logo as transformações pelas quais o corpo, daquele que era criança, já está passando. E o novo adolescente não faz ideia do quanto pediu, nesta hora, para deixar de ser considerado criança, e virar, rapidnho, gente grande...

Será mesmo que esta intrusa, a primeira espinha, aborrece de fato? Todo jovem diz que sim. Ela incomoda, além de doer. Não suportam aquele pontinho branco no rosto. Se eles comem muito chocolate, então elas aparecem aos bandos.

O jovem pode ter a certeza de que não será tão fácil se livrar delas. Durante toda a nossa vida, uma ou outra irá sempre aparecer.

Eu me lembro bem... A minha primeira “intrusa” apareceu no canto da boca, ao lado de meu sorriso. Contive minha ira, mas deixei de ir à festa de uma prima só para não me expor ao ridículo perante os convidados. A pasta dental não me ajudou em nada... Eu me achava feia demais. Dois dias depois, ela sumiu e eu acabei perdendo uma noite de diversão com a família.

Mas, se fossem só as espinhas para incomodar os jovens, além de tantos outros incômodos que irão surgir ao longo da adolescência, poderíamos considera-las até inofensivas demais, coitadinhas. Acontece que, logo após, virão também os cravos e as sardas... E aí, sim, a erupção vulcânica estará mais impetuosa do que nunca. Ardente, a infernizar os jovens principiantes.

Que seja bem-vinda a adolescência!

 

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