sexta-feira, 28 de junho de 2013

COMPORTAMENTO


COMPORTAMENTO

 

“Os jovens preferem andar em turmas, pois desta maneira eles também buscam novas figuras de identificação.”

Voltando aos estudos de Anna Freud, o adolescente, quando criança, é comportado, educado, obediente e possui bons hábitos alimentares. Já o retrato do adolescente, ela o mostra: curioso, faminto, egoísta e desrespeitoso.

Assim, pensando os predicativos aqui rotulados, e comparando-os, podemos notar que há uma transformação radical. E em meio a todo este conflito, causado pela profunda mudança que acontece no corpo e no espírito do jovem, ele estará à procura de sua própria identidade. Por isso, em grupo, ele encontra apoio, segurança e a estima pessoal de que necessita.

Quando os jovens aceitam seus padrões, modo de vestir, de falar, uma nova identidade surge a partir de então. Estes modelos acrescentam-lhe uma imagem sobre a qual eles irão se firmar por um bom tempo. Através dela, eles se sentirão mais confortáveis para lidar melhor com seus conflitos nesta fase de modificações extremas.

A juventude está mesmo perdida em meio a tantas exigências que lhe são impostas, e tantos apelos que vão em contrapartida à nossa sociedade, que reprime, controla e vigia o jovem, muitas vezes desprovida de diálogos. Assim, os psicólogos analisam, admitindo que a nossa sociedade finge novos padrões, mas com certeza está mesmo é firmando tendências do passado.

Ainda hoje, a lamentar, existem alguns jovens que se comportam como verdadeiros “animais”, que me perdoem a expressão. Não dá para tapar o sol com a peneira. As revistas semanais e mesmo os programas de reportagem da TV estão sempre divulgando este comportamento débil de jovens que não se prezam, que não amam a vida, a ponto de torna-la um verdadeiro inferno, para eles próprios e para seus pais. Muitas vezes, influenciados por modismos falsos, eles se decepcionam. Seus pais, sim, são sofredores e devem viver se culpando, procurando o erro da educação que transmitiram para seus filhos. Falharam? Não podemos julgá-los. Nem sempre a educação vence os apelos do meio no qual estes jovens se envolvem.

Contudo, percebo, até com grande alívio, que a maioria de nossos jovens, desta nova geração, está se comportando dentro dos limites. Eles levam uma vida saudável, cultuando o corpo nas academias e aprimorando a mente. Jovens que se destacam nos estudos, porque pensam ter, no futuro, uma carreira brilhante. Têm interesse pela cultura e avançam em direção a ela, ávidos de informações e desempenho.
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sexta-feira, 21 de junho de 2013

DEPOIMENTOS DE JOVENS ADOLESCENTES - TOMO I


DEPOIMENTOS DE JOVENS ADOLESCENTES – TOMO I


O que rola na cabeça desta moçada bacana? O que os jovens pensam a respeito de sua adolescência? Estão curtindo tudo numa boa? Quais serão as dúvidas que mais rondam os seus pensamentos? Suas satisfações são maiores que seus conflitos? Como encaram a família? E os amigos? Viver com a turma, a tal tribo, é mais legal? O que pensam a respeito de sexo e drogas?

Durante minhas pesquisas, inicialmente, nas cidades de Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP), acabei intrigada com estas questões e senti vontade de buscar as respostas na própria fonte. Por isso, quando tive acesso aos seus diários, solicitei a alguns destes jovens que escrevessem sobre o que eles consideram de maior importância para a sua juventude. Que abordassem os temas primordiais sobre os quais sentem a necessidade de saberem mais a respeito. Qual não foi a minha surpresa ao constatar as suas preocupações. Algumas delas me levaram a repensar a minha juventude. Quando adolescente, eu tinha as mesmas incubações, e de lá para cá elas continuam as mesmas para estes jovens. Porém, outras preocupações já são bem mais contemporâneas, estão para o tempo real, óbvio!

Pedi-lhes a permissão para publicar neste livro os seus escritos, o que me foi autorizado. A seguir, o que alguns deles escreveram:

# GAROTA (11 anos) / Belo Horizonte (MG)

·         Vontade de beijar: “Quando somos novas, ou não temos namorado, ainda, dá mesmo uma vontade louca de beijar... Também, quando assistimos novelas, filmes, dá vontade, viu? Quando olhamos um garoto bonito, dá vontade de beijá-lo, assim... Sem mais nem menos!”

·         Algum problema com o seu corpo?: “Nós temos a maior preocupação com o nosso corpo, claro. Se estamos gorda demais, meio magra... Se o vestido está curto, ou se colocamos uma mini-blusa e o sutiã aparece... Coisas assim.”

·         Sexo com 11 anos: “Eu acho que as meninas que estão com 11 anos ainda não pensam em sexo. Só o lance de ficar mesmo... Beijo e tal.”

 

# GAROTA (14 anos) / Belo Horizonte (MG)

·         Vaidades: “Toda garota sonha em ser simplesmente o “máximo”. Quer ser linda e charmosa. Queremos ter amigas morrendo de inveja do nosso sucesso junto aos garotos pretendentes. Queremos nos sentir irresistíveis...”

·         O primeiro namorado: “Ele deve ser como a gente imagina: maravilhoso, amigo, companheiro, engraçado, inteligente. Sonhamos mesmo é com um “príncipe encantado”, um menino super apaixonado, para que todas as amigas “babem”, e isso faz com que a gente se sinta bem.”

·         A primeira transa: “Quando a gente vê cenas quentes nos filmes, novelas, imaginamos quando é que iremos iniciar essa experiência chamada sexo. Sonhamos com um cara lindíssimo nos levando às nuvens...”

·         Paixão platônica: “Às vezes, a gente acha que nunca vai acontecer com a gente. Mas, de repente, apaixonamos perdidamente pelo professor de Matemática, ou aquele ator famoso. Ou até mesmo pelo namorado de uma amiga... Infelizmente, a paixão nem sempre é correspondida, e sofremos um pouco. Depois, a gente esquece.”

 

# GAROTA (16 anos) / São Paulo (SP)

·         As amizades: “Amigos para os quais contamos tudo e aprontamos de tudo juntos. É meio que um por todos e todos por um. Os amigos são para as horas tristes e alegres...”

·         A família: “Há alguns desacordos com os pais, principalmente quando nos proíbem. Dá uma vontade de fazer tudo o que é proibido, por pura birra e para provar que nada é proibido se caso a gente tomar todo o cuidado possível. A cabeça dos pais é diferente da dos filhos. Dá vontade de já ter logo 18 anos...”

·         Vontades: “Viver intensamente. Aproveitar do bom e do melhor, mas a gente não pode. Êta problemão! Vontade de sair sempre com a galera, de trocar ideias e estar sempre com alguém. Namorar, aprender coisas novas e sempre poder realizar os nossos sonhos.”

·         Bebidas, drogas, cigarros: “Vivo escutando que é só para experimentar. Só que todo dia isto acontece. Aí começa. Também acho que é só para aparecer. Besteira! Mas a maioria não dispensa. As companhias também influenciam muito, assim como o ambiente e a própria vontade de experimentar.”

 

# GAROTO (13 anos) / São Paulo (SP)

·         Adolescência: “Eu acho que a adolescência é isso que estou passando na vida. É a chatice dos meus pais e dos pais de muitos colegas da escola. A gente não é mais criança, mas eles não enxergam isto. A gente não pode fazer nada, porque está errado. Eu gosto de estudar, mas também quero me divertir. Os garotos da minha idade já querem namorar. Eu ainda não namoro, só paquero de longe. Eu preciso conversar com meu pai. Ele é chato, mas é legal.

Eu não gosto muito que fiquem pegando no meu pé. Tem garotas que gostam de grudar na gente, e isso eu acho muito chato. Eu adoro jogar videogame com os amigos, e sozinho também. Penso em escrever um livro. Vou ser um escritor. E quanto à adolescência é ter paciência. Um dia, vou virar adulto e vou rir, lembrando-me do quanto eu fui um aborrecente para meus pais.”

 

# GAROTO (17 anos) / Belo Horizonte (MG)

·         Adolescência: Eu sou um adolescente legal. Gosto de ser jovem. A vida está indo “de boa”! É claro que a gente tem mil problemas, mas dá para segurar as pontas. Já tive muitas namoradas e transei a primeira vez com 14 anos de idade. E foi muito bom. Tenho amigos que ainda não fizeram sexo. Nunca tive e não tenho este lance de ficar fervendo a cabeça por conta de alguma coisa. Vou levando tudo conforme me vem. E só ganho coisas boas. Acho que é por isso que sou um cara feliz. Tem uns adolescentes que encanam muito. Esta fase da vida depende muito de como a gente a encara. Não tem muito mistério, mas os adultos acham que tem. Os jovens devem pensar que a adolescência é o período melhor de nossas vidas. Temos de aproveitar a vida, a nossa juventude, sem tantos pontos de interrogação na cabeça. As drogas? Como diz na propaganda, “tô fora”. Valeu!”

 

O testemunho destes cinco jovens que escolhi para publicar, em meio a tantos outros, reflete bem o que cada um deles pensa a respeito de sua juventude. De acordo com a idade de cada um, constatei que suas preocupações são as mesmas, e os pensamentos seguem uma mesma linha de conduta. Percebi também que muitos deles têm fantasias para com as relações amorosas. De acordo com pesquisas, elas são naturais e saudáveis e fazem parte da iniciação dos jovens. Já alguns, se sentem sozinhos e carentes. Eles pensam que terão dificuldades em atrair alguém. Ainda não sabem como lidar com esta questão. Outros, escreveram que andar em tribos é uma maneira de se sentirem mais seguros, na rua principalmente. De fato, estar em turma é mais divertido, por isso vivem muitas aventuras juntos. Até mesmo as aventuras amorosas são compartilhadas.

 

Os nossos jovens, praticamente, têm as mesmas indagações e os mesmos conflitos perante à vida.

A partir destes depoimentos que solicitei a vários jovens, somados aos artigos de jornais e revistas que retratam esta nova geração, muitos adolescentes são parecidos uns com os outros, uma característica nata entre eles. Mas, a bem da verdade, há jovens que são extremamente conturbados e não sabem o perigo em que se metem. Falta-lhes atenção, carinho e, sobretudo, um aconselhamento por parte dos pais, e mesmo dos educadores. Estão tão perdidos que mal se dão conta de que eles próprios também não se ajudam, a ponto de afundarem cada vez mais num poço, muitas vezes sem volta. E não encontram ninguém que lhes diga que existe, sim, uma saída!

 
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A BUSCA DA IDENTIDADE



A BUSCA DA IDENTIDADE

 

Os jovens dão vazão à sua vitalidade natural.

De acordo com os estudos de Maurício Knobel - psicanalista argentino -, os padrões de comportamento na conduta caótica e contraditória do adolescente passam por fases místicas e fases de absoluto ateísmo. Assim, os jovens tentam achar soluções para a angústia que sentem ao buscar identificações positivas.

Analisando estes estudos, percebo que o nosso jovem vivencia sentimentos de medo, frustações, ódio e revolta. E se estes momentos de crise “solitária” o levam às mudanças positivas, aumentando a sua consciência, despertando a sua potencialidade interna e levando-o a compreender que a dor e o sofrimento são necessários, então acredito que toda esta reflexão só poderá fazê-lo buscar uma vida melhor e mais saudável. Para Maurício Knobel, é justamente neste momento que o jovem procura a sua identidade, seja ela religiosa ou ideológica.

O jovem está sempre esbarrando em algum problema existencial. E este fato o aflige, obrigando-o a pensar sobre a questão que o incomoda. Assim, penso que é nesta hora crucial, mas mágica e transformadora, que ele se liberta de suas aflições, incertezas e inseguranças. Ao se posicionar ideologicamente, o que lhe é bastante confuso, está buscando uma identidade. Está preocupado com o futuro e imagina mil reformas para o mundo no qual ele vive. Até passa por sua cabeça salvar a humanidade. Por isso, começa a escrever contos, versos, diários, e se dedica a atividades artísticas.

Enquanto preparava este livro, tive acesso a vários escritos de alguns jovens, que me concederam a honra de lê-los. Muitos deles são confidenciais, trancados a sete chaves, apenas um rascunho daquilo que lhes é sagrado, memórias íntimas. Constatei, através de diários, principalmente, que o nosso jovem sabe bem o que não quer ser, contudo está extremamente confuso com o que ele quer fazer de si mesmo. Diante do fato que logo terá uma identidade adulta, ele se refugia no seu mundo interior, como se procurasse insistentemente aquela criança que já foi um dia.

Positivamente, eles têm medo de crescer e isto os assusta, como se fosse um bicho de sete cabeças. São tantas as dúvidas e as incertezas... Há um turbilhão delas! Além de se preocuparem com esta questão, ainda bordam as preocupações com princípios éticos, filosóficos e sociais. Isto é uma característica do adolescente; esta necessidade de intelectualizar-se e fantasiar. São manifestações típicas nesta fase, segundo pesquisas.

Preocupa-me o fato de que o jovem ao buscar sua identidade dominante e positiva, significativa, ele apresente flutuações de identidade bastante exageradas no que tange à maturidade, bondade e afetividade.

Lendo e relendo os escritos que me foram confiados, constato uma grande distância da jovem que fui com o jovem de hoje. Considero que os tempos mudaram mesmo e por isso sinto a necessidade de compreender, cada vez mais, esta juventude!

 

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

UM CERTO RELAXAMENTO


UM CERTO RELAXAMENTO

 

Dizem, e muitas vezes comprovam, que o jovem é um ser relaxado, descuidado e negligente. Não cuida bem de sua higiene e nem tem cuidados com suas próprias roupas. Em suma, é um desmazelado. E ainda pratica ações cruéis e tem ares de prepotente. Devido ao seu egoísmo e desconsideração, gera conflitos com seus familiares. Na escola, deixa claro o seu desinteresse pelos estudos e por isso prefere, muitas vezes, não frequentar as aulas. E parece que carrega às costas um cartaz, onde se lê: “Também sou insubordinado e irresponsável.”

Não vamos aplaudir este relaxamento, mas podemos perfeitamente tentar entende-lo. Os pais e educadores preferem analisar, rotular esta conduta irregular dos adolescentes como sendo uma regressão. Sentem que as conquistas educativas estão sendo ameaçadas de uma maneira brusca, e por isso estão temerosos. Já o jovem faz um grande esforço para controlar estes seus impulsos desordenados, próprios desta fase. Muitas vezes, ele se reprime intensamente, ou então irá defendê-los, recorrendo a outras formas. Suas forças conscientes estão em constante luta contra estes impulsos instintivos; são espontâneos, e por esta razão, impensados. De tal forma, o jovem se vê numa situação conturbadora. Mas esta luta travada é uma tentativa benéfica, onde ele se apoia para buscar paz e harmonia.

De acordo com pesquisas e estudos, o desequilíbrio da personalidade do adolescente se manifesta também na forma de sintomas parecidos com os das pessoas neuróticas ou de conduta antissocial.

Penso que estas condutas “anormais” dos jovens são transitórias e duram seu tempo, o que, aliás, é comprovado. Admito que muitos deles são rebeldes e descompromissados com suas atitudes. Entretanto, há jovens de 13, 14 e até mesmo de 16 anos, que não demonstram tais inquietudes. Assim como o foram durante a infância, continuam sendo bons filhos e respeitosos para com seus pais, totalmente atados aos vínculos familiares. Porém, psicanalistas consideram que essa “normalidade” é de fato anormal. Este comportamento “muito certinho” significa um atraso no desenvolvimento normal, e que, para permití-lo, irão precisar da intervenção terapêutica, para se eliminar as restrições interiores, causadas pelo excesso de defesas que os jovens criaram contra os impulsos espontâneos.

Assim, este relaxamento e condutas anormais dos nossos jovens são de pequena duração. Caberá aos pais e educadores aceitarem, conduzindo da melhor maneira possível, toda esta inquietação pela qual o jovem passa, sem ter as rédeas do comando geral.

 

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sábado, 1 de junho de 2013

TUDO CERTO, COMO MANDA O FIGURINO



TUDO CERTO, COMO MANDA O FIGURINO

 

Enquanto ocorre toda esta transformação, citada no capítulo anterior, que afeta o mais íntimo do organismo do adolescente, ele passa a se sentir como o expectador de seu próprio corpo, assiste a uma forma de espetáculo com o qual ainda não está familiarizado. Portanto, estas mudanças irão despertar no jovem uma grande preocupação, uma espécie de inconformismo em relação à sua própria identidade. Daí o fato de os adolescentes se estranharem e até mesmo se tornarem insatisfeitos, pois se recusam a aceitar o próprio corpo. De acordo com pesquisas, o jovem passa por uma descoordenação muscular, por isso tais sentimentos.

Nesta fase, ele ainda tem de se conformar em seguir o “figurino” que os mais velhos lhe ditam. Portanto, se vê quase que obrigado a se sentir desconcertado diante às solicitações do seu corpo em explosão e a limitação de postura. E por aí vai... São recomendações e mais recomendações!

Os adolescentes estão em constantes lutas contra o corpo velho e o corpo novo, se defrontando com uma nova realidade.

Segundo Anna Freud (filha do fundador da psicanálise, Sigmund Freud), em seu livro “Psicanálise do Desenvolvimento da Criança e do Adolescente”, as modificações hormonais revolucionam a vida sexual do jovem. Observam-se mudanças na maneira de exprimir a agressividade e progressos no desempenho intelectual. Ocorrem, ainda, mudanças no caráter e na personalidade, pois uma nova pessoa começa a emergir. Os jovens reavaliam os laços afetivos e as relações sociais. Sentem a perda do papel e da identidade infantis, pois, quando criança, possuía a cômoda situação de dependência e, quando adolescente, assume a responsabilidade da condição de adulto.

Nesta fase, a imagem de “pai e mãe” já não é mais a mesma que possuía quando criança. Do mesmo modo, as coisas e lugares. O adolescente passa do prazeroso mundo infantil - com suas necessidades básicas satisfeitas - para o mundo adulto, onde terá de conquistar sua identidade e sua maturidade.

Assim sendo, os jovens apresentam, durante esta transição, um comportamento totalmente marcado por oscilações devido ao fato do surgimento dos desafios que se apresentam a eles, pesando, ainda, outros aspectos de sua transformação, ou seja, de sua natural evolução. Então não é possível precisarmos o limite entre o que ele julga normal e o que é insalubre nesta fase de sua vida.

Ainda, de acordo com as anotações de Anna Freud, dos conflitos que o jovem passa, resulta um desequilíbrio de sua personalidade. Sua estrutura psicológica ainda não está comedida. O período de latência, o “pulsar”, do desenvolvimento de sua personalidade vai dos sete anos de idade ao início da puberdade. A criança, neste período, é educada e bem comportada, mas, quando adolescente, é insaciável e exigente.

Será mesmo que os jovens estão ávidos e nada lhes satisfaz? Estão extremamente descontentes, e por isso exigem tanto?

A sociedade e as regras de conduta sacrificam os adolescentes nesta fase mais bonita da vida. Como socorrê-los e como suportarmos essa chamada “aborrecência”? Não devemos julgar o comportamento destes jovens, e sim procurarmos entende-los melhor... Estes jovens motivados e instigantes, com suas expectativas que nem sempre correspondem às que tivemos quando jovens. Porque nem tudo é certo e será certo, assim como manda o figurino!

 

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

MUDANÇA E TRANSFORMAÇÃO


MUDANÇA E TRANSFORMAÇÃO

 

Durante o período da adolescência, as atitudes e os valores sofrem uma reviravolta, uma mudança repentina. Mas a mudança anatômica e fisiológica é o principal foco da transformação que acontece no corpo do jovem.

Por volta dos 12 anos, a hipófise (glândula que se localiza na base do cérebro) sofre um “despertar” e começa a estimular os testículos, para a produção da testosterona (hormônio sexual masculino), e os ovários, para a produção do estrógeno (hormônio sexual feminino). Estes hormônios, uma vez em ação, darão início às alterações anatômicas, responsáveis pelas diferenças entre os sexos.

Em frente ao espelho, o adolescente percebe as mudanças que ocorrem em seu corpo, as chamadas características sexuais secundárias, onde os órgãos genitais se desenvolvem acentuadamente, indicando os atributos físicos, diferenciadores do corpo do homem e da mulher.

Os contornos do corpo vão mudando em ritmo gradual:

# Na menina: Por volta dos 11, 12 anos, os seios começam a se desenvolver; a auréola escurece e já despontam os mamilos. A cintura afina-se, a bacia fica mais larga, as nádegas e coxas ficam roliças e torneadas.

# No menino: Por volta dos 13 anos, o timbre da voz ora soa grave, ora emite o som agudo. Braços e pernas se alongam, os ombros ficam largos. O pênis e os testículos aumentam de tamanho. Aparecem discretos pelos no rosto. E o pomo-de-adão (laringe mais volumosa e saliente devido ao hormônio), também conhecido como “gogó”, geralmente aparece aos 15 anos de idade.

Estas modificações determinam, ente outros efeitos, um aumento da deposição de gordura sob a pele. O corpo da menina adquire contornos arredondados, e os meninos apresentam, por pouco tempo, um período de “engorda”, com deposição de gordura nos quadris e ao redor dos mamilos. E ainda, em ambos os sexos, nascem os pelos axilares e púbicos.

O aumento brusco da estatura no começo da adolescência é conhecido como “estirão”; o mesmo que espichar-se. E é ele quem determina também o início da puberdade, na qual ocorre o amadurecimento sexual.

Segundo pesquisas, o crescimento, nas meninas, se completa aos 14 anos de idade. Já os meninos só chegam à estatura definitiva aos 16 anos.

Durante toda esta fase, o adolescente, cuja imagem demora para ficar pronta, não tem noção exata do espaço que ele ocupa. Por isso, às vezes, desajeitados, vivem tropeçando e se esbarrando nas coisas que estão à sua volta.

O adolescente sente necessidade de reconhecer a si mesmo neste período de mudança e transformação. Está sempre se olhando no espelho, para notar as suas mudanças: os pelos que crescem, o nariz que está maior, os ombros que se curvam, a pele que está oleosa. É neste momento que a vaidade aparece, pois ele vai começar a se preocupar com sua forma física, sua aparência. E diante deste processo natural de crescimento o jovem terá de adaptar-se ao seu novo corpo.

Geralmente, ocorrem contradições. Ao mesmo tempo em que ele se sente alegre em verificar os sinais de sua sexualidade, também sente vergonha de demonstrá-los. Isto leva o jovem a sofrer um pouco. Ele se sente tímido e inseguro, e muitas vezes rebelde, pois crê na rejeição, devido a estas transformações, principalmente quando surge o interesse pelo sexo oposto.

 

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

DESVENDANDO O PERFIL DOS JOVENS



DESVENDANDO O PERFIL DOS JOVENS

 

A criança, à medida que cresce, sabe bem como guardar a pureza de sua infância. Mas, quando adolescente, perde e se distancia de sua natureza; do ponto mais importante de sua meninice.

Os jovens são levados pelos apelos da sociedade. São massificados até por abusos de poder. Tudo isso os leva a se posicionarem perante à vida da maneira que lhes é mais agradável. Talvez, mais suportável. E, porque não, mais cômoda.

Há jovens que não são muito “família”, preferem os amigos, a turma do colégio, e com ela ficam bem mais à vontade. Conversam na mesma linguagem e seus ideais são quase os mesmos. Compartilham a sua mocidade da mesma maneira que compartilham seus segredos, suas aventuras e desventuras com grande prazer!

A cara desta nova geração tem mil facetas. E como as faces de uma pedra preciosa, lapidada, esta geração se esmera na aparência e no tipo de comportamento que leva. Dependendo de sua conduta, da postura que tem diante à vida, podemos tomar vários estilos como exemplo. Jovens que prezam a moral e os bons costumes e assumem suas diferenças com a maioria, que é do tipo “desencanado”, que veste calça jeans rasgada, camiseta e jaqueta surradas e ainda cultuam as tatuagens, muitas vezes, exageradas.

Alguns ainda levam os estudos a sério, e vivem por conta deles, mas, à noite, se sentem no direito de se divertirem nas baladas. Adoram um chope e bate-papo, e esquecem da hora de voltar para casa. Uns ligam, avisando onde estão, e outros, quanto menos os pais souberem de seu paradeiro tanto melhor!

Os jovens shoppinianos típicos sentem uma grande curtição, quando, em passeio com a turma, se divertem à sua maneira. Nos shoppings, eles encontram pessoas novas, e as vitrinas e todo o divertimento os fazem esquecer dos compromissos com as responsabilidades que já lhe são impostas em casa e na escola. E estas responsabilidades já pesam nas costas, muito mais que suas mochilas, abarrotadas de livros e deveres...

Indiferentes às consequências, há jovens que não amam tanto a vida e se entregam às drogas, assim como se fossem uma válvula de escape para tanto tipo de aborrecimento, que lhes parece um cavalo de batalha. E se enganam quanto a esta fórmula, que pensam ser mágica.

Mas, o barato mesmo para os jovens são as redes sociais... Nelas, estão em casa. São verdadeiros e curtem uns aos outros. Postam suas vontades, verdades e mentiras! São os “jovens de uma geração mutante, com dedos sempre inquietos em teclados e telas”, de acordo com o filósofo francês, Michel Serres, autor do livro “Polegarzinha”, lançado recentemente, onde afirma: “Estes jovens habitam o virtual, pois através do celular eles têm acesso a todas as pessoas, por GPS, a todos os lugares, e pela Internet, a todo saber.”

Realmente, o fato é que a Web, o “www” (World Wide Web / Rede de alcance mundial) é como se fosse um mantra para os jovens. Nela, também são capazes de tirar suas dúvidas e expectativas também em relação ao amor e às amizades.

Enfim, há jovens com perfis dos mais diversos. Cada um acha que está na sua. E se não está na dele está na dos outros, satisfeitos ou inconformados. Jovens que ainda não se situaram e buscam um caminho, o melhor que lhes parecer. Jovens que têm a cabeça no lugar, e outros, que são capazes de perderem-na por qualquer vacilo. Jovens indecisos. Jovens que já têm convicção daquilo que buscam. Jovens perdidos numa madrugada que custa a passar...

 

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